A vida das borboletas

Borboletas

Uma vez, como costuma acontecer todos os dias, eu me perdi nos meus pensamentos e meio que do nada me veio em mente o ciclo de vida das borboletas. Sem querer, comecei a examinar cada fase que elas vivem, a começar por quando elas ainda estão no ovo. É nessa fase que elas começam a se desenvolver, e ainda estão despreparadas para enfrentar o mundo. 

Depois que saem do ovo, elas são apenas larvas, lagartas que têm como “tarefa” se alimentarem e crescerem. Essa é a fase mais longa de suas vidas, e mesmo que não seja a mais graciosa, é a na qual elas mais passam por preparações para a fase seguinte. Então formam um casulo ao redor do próprio corpo, ficam na fase de pupa, quando elas passam por um período em que ficam lá dentro, longe do resto do mundo, para desenvolver suas asas. No fim dessa fase, elas passam pelo maior desafio: sair do casulo. 

Elas se esforçam ao máximo para conseguir, e assim preparam suas asas para a fase seguinte. Se não passarem por isso, suas asas ficam fracas, e seu destino provavelmente é ser pega por algum predador. Então vem a mais graciosa das fases, quando se tornam borboletas, e abrem suas asas para o mundo. Porém essa é a mais curta de todas. Por fim, após o acasalamento, elas põem seus ovos, e logo em seguida morrem, mas não sem antes deixar novos "projetos" de borboletas.

Nossas vidas são muito mais semelhantes às das borboletas do que costumamos pensar. Nós também passamos por essas fases. Cada uma da vida das borboletas equivale a uma nossa. A fase do ovo é quando nós também estamos despreparados para enfrentar o mundo, e nos desenvolvemos aprendendo a cada dia. Quase sempre, nessa fase estamos envolvidos por uma proteção que pode ser a de nossos pais, ou até a de nossa própria timidez.

Quando ela é uma lagarta é equivalente ao momento em que continuamos crescendo e aprendendo, mas não estamos mais envolvidos por essa proteção, e às vezes o que nos faz desenvolver são os erros e feridas que sofremos ao explorar esse mundo novo. Geralmente também é a nossa fase mais longa, pois precisamos aprender muito na vida, e como com as borboletas, não é nossa fase de mais destaque.

Passamos pela fase de pupa em um momento crucial de nossas vidas, quando também abrimos mão de algo que amamos por muito tempo para completarmos nosso crescimento. Esse objeto de nossa estima muda para cada pessoa, e quase sempre ele retorna a nós. Sair do casulo também é um desafio para as pessoas. É uma grande provação pela qual passamos, que nos exige muito esforço, porém é ela que nos faz melhores para o futuro, e muitas vezes sem isso não podemos seguir fortes.

E então vêm as nossas asas. É o fruto de tudo pelo que passamos durante a vida, quando nos desenvolvemos por completo. Essa fase não quer dizer necessariamente reconhecimento, mesmo que alguns o consigam, mas sim um crescimento para nós mesmos.

Quando chega o fim de nossas vidas, colocamos os nossos “ovos”. Aqui essa palavra não quer dizer exatamente nossos filhos (mesmo que possa incluí-los), mas aquilo que deixamos para o futuro, e até mesmo nossas marcas na história.

Essas fases não devem ser confundidas com faixas etárias, pois elas pouco se influenciam pela idade. As fases se embaralham para cada pessoa, podendo algumas simplesmente “pularem” algumas fases, ou virem a não completar esse ciclo. O que deve ser levado em consideração é que nós mesmos não devemos tentar interferir nele, pois todas essas fases são necessárias para nos tornarmos alguém a ser lembrado, como uma graciosa borboleta. 

2 comentários:

  1. Respostas
    1. Olha, esse texto é antigo, mas ainda acho pertinente! Que bom que curtiu, Daniella! Beijão!

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