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Não importa o nome dado, estupro é estupro, apesar da relutância vinda de alguns que se negam em reconhecer quando esse estupro acontece. É constante o hábito de modificar o nome da ação para que assim ela passe a ser justificável, aceitável, perdoável, engraçada. 


Ok, ok! Vou pegar leve com os leigos e explicar.


Estupro segundo o dicionário: crime que consiste no constrangimento a relações sexuais por meio de violência; violação.


Estupro segundo o Wikipedia: estupro, coito forçado ou violação é a prática não consensual do sexo, imposto por meio de violência ou grave ameaça de qualquer natureza por ambos os sexos.



Estupro segundo a legislação brasileira: constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso. O crime pode ser praticado mediante violência real (agressão) ou presumida (quando praticado contra menores de 14 anos, alienados mentais ou contra pessoas que não puderem oferecer resistência). Logo, drogar uma pessoa para manter com ela conjunção carnal configura crime de estupro praticado mediante violência presumida, pois a vítima não pode oferecer resistência.


Vários locais onde se pode pesquisar esse termo. TODOS  em comum acordo quanto ao ser um ato violento e criminoso. Por que certas pessoas não entendem dessa forma? Alguns dos motivos para essa falta de consenso quanto ao que podemos ou não considerar estupro são: abuso sexual e assédio sexual.




Muita gente entende que esses dois termos que citei a cima são menos agressivos que o estupro e, por isso, mais aceitáveis. E é essa tentativa constante de maquiar as diversas faces da agressão sexual que alimenta as mentes das pessoas que defendem tais atos de violência como pequenos, de pouca importância e até mesmo "invenções de feministas mimizentas". 


Abuso sexual: qualquer forma de constrangimento sexual sobre um indivíduo em situação de inferioridade, envolvendo ou não violência física. 


Assédio sexual: fazer uso de palavras de baixo calão para ofender ou "elogiar" uma mulher, indiretas sexualizadas dirigidas à mulheres que não às pediram ou permitiram e até mesmo tocar-lhe o corpo (como acontece em ônibus, festas e no trabalho também) sem consentimento da mesma.


Percebe como são atitudes de violação, agressivas, humilhantes e abusivas, assim como o estupro? E, assim como o estupro, são tidos como consequências de atos errados cometidos pela vítima. Veja só:
  1. - andar com roupas curtas ou justas é pedir para sofrer alguma dessas agressões a cima;
  2. - estar na rua até tarde também é;
  3. - beber então, nem se fala;
  4. - jamais pense em pedir respeito, direito de ser, estar, usar, seja o que for. Você está errada, tem que aceitar a agressão e ainda fica sendo a puta que provocou tal ato. 

Esses pensamentos estão muito enraizados em nossa sociedade patriarcal, partem das palavras mais simples até a violência em si. E é essa escala de definiu o que é a cultura do estupro.


Cultura do estupro é
  1. - duvidar da mulher que conta ter sido estuprada;
  2. - levar em conta o passado ou vida sexual da vítima;
  3. - acreditar na malícia naturalmente existente na mulher;
  4. - objetificação do corpo feminino existente na publicidade, na TV, na literatura, etc;
  5. - ensinar a não ser estuprada ao invés de ensinar à não estuprar;
  6. - achar aceitável fazer sexo em alguém enquanto está embriagada, dormindo, desmaiada;
  7. - ter medo de ser uma mulher sozinha saindo do trabalho a noite e achar natural;
  8. - duvidar da real existência de quaisquer violência contra a mulher;

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O silenciamento contribui com a cultura do estupro. Se os casos de violência são tidos como naturais, então para que vamos investigar? Não a motivos para pedir ajuda a família, denunciar seu vizinho, entregar seu patrão. Mães, amigos, tias, colegas de trabalho, delegados, professores, juízes, jornalistas, todos unidos para jogar um caso de estupro, abuso e assédio para debaixo do tapete.


Eu pude perceber que a nomenclatura ajuda a definir o que é ou não relevante, assim como as regras impostas pela sociedade. Siga essas regras de forma indubitável, se mesmo assim você passar por alguma situação de violência sexual vamos ver se podemos enquadrar o caso em alguma  lista mais aceitável.  


Com tudo isso, ainda encontramos pessoas que desconhecem ou negam a existência da cultura do estupro. Preferem agir fingindo que não são coniventes com atitudes que permitam um ato abusivo em sua sociedade perfeita. Ou pior, elas REALMENTE ACREDITAM não ser. Isso dificulta tudo não é? Como lutar contra algo que acredita não existir? Como lutar contra algo que acredita ter sido culpa sua?
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Um grupo de freiras superam na forma de resgatar vítimas do tráfico de mulheres e crianças. Elas se infiltram em bordeis fingindo ser prostitutas e tentam ajudar mulheres que sejam mantidas à força nesses locais.


Nossas heroínas também utilizam do dinheiro a favor da liberdade infantil. Elas "compram" as crianças que são vendidas pelos pais como escravas. Existem casas especificas preparadas para receber as crianças resgatadas aqui no Brasil, na África, nas Filipinas e na Índia.


Reprodução/Talitha Kum


A organização tem o nome de Talitha Kum, Rede Internacional da Vida Consagrada contra o Tráfico de Pessoas.


Reprodução/Talitha Kum

A instituição age em 80 países diferentes e conta com cerca de 1100 de mulheres. Elas explicam que cerca de 73 milhões de pessoas (cerca de 1% da população) são traficadas de alguma forma no mundo. Desse número, 70% são mulheres.

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John Studzinski, banqueiro e diretor da entidade, disse que as irmãs não confiam em ninguém. Elas não confiam nos governos, não confiam em corporações, e não confiam na polícia local. Em alguns casos, elas não podem confiar nem no clero masculino.


Vale muito a pena conhecer o trabalho delas. O tráfico de mulheres não recebe o devido valor das autoridades. Ainda enxergam como garotas que escolheram ser putas e se divertem vivendo ao lado de bandidos que as maltratam e exploram em quanto acham vantajoso.


Esperamos que o trabalho realizada pelas freiras sirva como modelo e inspiração para que um dia não tenhamos mais que temer o trafico humano.


Ela sabe o que eu penso. De olhos vendados e braços abertos para toda e qualquer aventura, é assim que eu a sinto sob o olhar de um vazio: Serena, imutável, ausente. 

Um pequeno momento em que me recolho ao inatingível, ao mais próximo do miserável e longínquo sonhador. Sou o contento de um instante perpetrado nessa eternidade de sonhar.  Fantasia pura, tocada pelo desejo daquela que, com gestos de loucura, coexiste em minhas invenções de por um pardo momento não existir.

Atravesso com olhar intrigante e desiludido a ambição dos movimentos que se combinam. Tudo ali se constrói em um cenário de muitos sentidos.  Quem me dera se, de verdade, eu estivesse presente nas percepções de um segundo.

 Usurpada pelo espectro de um ser irredutível na sua rigidez mais tangível para não estar ali, toco vacilante a imagem que me seduz.  Fecho meus olhos e me sinto parte singela de uma realidade que se contempla com os pés fora do chão. Ao fechar a porta, é como se tivesse perdido para sempre o caminho que me levaria de volta para casa


O câncer de mama mata milhares de mulheres no Brasil, e a grande culpada é a demora para sua confirmação e tratamento. Se diagnosticado em estágio inicial, o câncer pode ser curado, do contrário, não recebendo o tratamento imediato, ele pode se alastrar para órgãos vitais como ossos, pulmão e fígado, levando à morte.

Diante da imensa demora que o diagnostico do câncer leva para receber confirmação, a brasileira Andresa Paixão realizou uma pesquisa para a utilização de uma técnica que visa detectar o câncer antes mesmo da formação do tumor.

A descoberta está concorrendo no Village to Raise a Child 2016, programa de empreendedorismo social da Harvard University. O programa seleciona cinco projetos do mundo todo, os mais votados passam de fase, podendo, assim, serem concretizados. Você pode votar para ajudar a Andresa (e com isso, milhares de pessoas) aqui: https://www.wishpond.com/lp/1696760/entries/112310456

Conversamos com a Andresa, para que ela pudesse falar melhor sobre seu projeto. Ela explicou que o projeto é um biomarcador. "O organismo da pessoa que está com câncer produz algumas substâncias e proteínas em reação ao desenvolvimento e presença do tumor. Dessa forma, a partir do momento em que houver quaisquer evidências da produção e/ou elevação dessas substâncias, o biomarcador detectará, e haverá a confirmação da enfermidade".

Ela conta também que tais substâncias são encontradas facilmente na saliva e na urina, e que o tumor não precisa existir para detectá-las, bastando a produção das mesmas para o diagnóstico da doença. "Esse exame pode ser feito por qualquer mulher em qualquer idade. Estudei diversos tipos de biomateriais disponíveis para produção do biomarcador, mas para o desenvolvimento preciso conseguir apoio. E o concurso oferece as ferramentas para o desenvolvimento".

Aproveitando o mês de aniversario, e também a Flip deste ano que homenageia a autora, selecionei cinco fragmentos para se (re) apaixonar por essa mulher que retalhava cotidianos transformando-os em poesia marginal.
 Sempre recriando a si mesma, Ana era a perfeita mistura da modernidade e cotidianos turbulentos escrevia com uma sentimentalidade intensa e passional, assim como todo o resto de sua vida.

        1-    Samba canção:
    “ fui mulher vulgar, 
      meia-bruxa, meia-fera, 
      risinho modernista 
      arranhando na garganta,
      malandra, bicha,  
      bem viada, vândala, 
     talvez maquiavélica, 
     e um dia emburrei-me, 
     vali-me de mesuras "



  2-    pouso a mão no teu peito
   mapa de navegação
   desta varanda
    hoje sou eu que
    estou te livrando
    da verdade



    3-     Fevereiro:
Quando desisto é que surges
Quando ruges é que caio.
Quando desmaio é que corres
 Quando te moves me acho
Quando calo me curas
E se te misturo me perco...”


      4-    Ciúmes:  
"Sinto ciúmes desse cigarro que você fuma tão distraidamente."



5-    Esqueceria outros:
“Pelo menos três ou quatro rostos que amei Num delírio de arquivística organizei a memória em alfabetos como quem conta carneiros e amansa no entanto flanco aberto não esqueço e amo em ti os outros rostos”



Apesar da grandiosa obra é bem difícil encontrar fragmentos da poetisa na internet, mas é possível encontrar sua coletânea realizada pela companhia das letras no link: https://companhiadasletras.paginaviva.com.br/carrinho.cfm?id_ProdutoLoja=9788535923629  
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Eu gosto de cálculo, biologia e ciência, mas também gosto de cozinhar. Faço ballet e passo horas fazendo ponto cruz mas também gosto de catuaba e cerveja. 


Nunca fui boa em videogame mas eu gosto de tentar, nunca aprendi a dirigir mas isso nunca me impediu de chegar onde eu quisesse. Eu gosto de ler e amo estudar, mas eu também amo ir à academia, sair à noite e voltar de manhã.


Ter filhos é um dos meus maiores sonhos, assim como terminar três graduações, fazer mestrado e doutorado. Agora aqui no meu computador tem aba aberta sobre planta, psicologia, circuitos eletrônicos, sexo, fisiologia, blog de moda e política. Eu nunca fui uma coisa só, nunca me encaixei na ideia bizarra de que mulher TEM QUE SER algo – porque desde que a gente nasce somos definidas pelos outros, nunca por nós.


Eu passei muito tempo confusa por gostar de tudo e por muito tempo não consegui ser uma coisa sem me culpar por não ser outra. Até o dia em que eu entendi que eu só tenho que ser o que eu quiser, mesmo. 


O absurdo é que esse texto tenha tantas palavras “mas”, porque na realidade estudar pra caralho não tem nada a ver com gostar ou não de ir pro bar. Eu gosto de carnaval e de física quântica, sou sensível e tô aprendendo a reagir quando devo, sou namorada e independente, curto maquiagem e as vezes passo meses sem depilar a perna e bem, nenhuma dessas coisas anula a outra, e o principal: ninguém tem merda alguma a ver com isso, eu posso ser e sou muito mais do que qualquer um ache que eu deva.

Quem escreve


Kéuri Santos, 23 anos, estudante de Neurociência na UFABC por paixão e professora de inglês por amor.
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Nós já tivemos aqui no blog uma lista com 5 séries que passam nos testes de Bechdel e Mako Mori. Para entender mais, leia aqui. Ainda estamos devendo a continuação desse post, mas ela virá, juro! Enquanto isso, trago hoje uma nova lista, dessa vez de filmes que passam nos mesmos testes. 

Para dar uma filtrada, eu optei por filmes pop (como pede a coluna) e mais leves pra essa primeira parte. Novas listas devem aparecer por aqui, e assim vamos trazendo filmes diferentes, com outras propostas. Por enquanto, vamos focar em produções divertidas, mas que além de passarem nos dois testes, fogem de estereótipos e trazem boas mensagens para o público feminino, ao mesmo tempo em que entretêm.

Mais uma vez, para evitar que surjam spoilers em todos os tópicos e não escrever uma página pra cada filme, não vou citar exatamente quais os motivos para esses filmes passarem nos testes. Então pega na minha mão e confia em mim! Nessa primeira leva, vou fazer dois posts: o primeiro só com live-actions e o segundo só só animações. Serão 5 filmes em cada lista. Enfim, chega de falazada! Espero que gostem das sugestões!


Para Sempre Cinderela

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Eu amo esse filme e vou defendê-lo! Pra começar, é uma versão de Cinderela em que a protagonista não é completamente feita de trouxa submissa à madrasta e às irmãs malvadas (que nesse filme é uma só, a outra é boazinha <3 ). Danielle (Drew Barrymore) tem gênio forte e desafia ordens não apenas uma vez, mas várias.

Melhor - Cinderela - EVER

Uma das melhores coisas do filme é a relação de Danielle com o príncipe. POSSÍVEIS SPOILERS, MAS TODO MUNDO JÁ DEVE TER VISTO ESSE FILME. Pra início de conversa, temos um ponto em que os papéis de mocinho e mocinha se invertem, e ELE é salvo por ELA. Gente, isso já é lindo demais e nem precisaria de mais motivos pra acharem esse filme maravilhoso.


Meninas Malvadas


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Assim como minha lista anterior tinha um item obrigatório, esta aqui também tem. Se a gente fala de um filme leve e divertido que passa nos dois testes, na hora vem à mente Meninas Malvadas. Mais uma pérola da Tina Fey, a história gira em torno de Cady (Lindsay Lohan), que viveu até os 16 anos na África com os pais zoólogos, e agora tem que se integrar numa escola normal.

Jingle Bell Rock!

O filme retrata rivalidade feminina como “um mal a ser combatido”, o que já é um ponto positivo. A mesma cena que põe essa rivalidade por terra (que não vou dizer qual é mesmo sabendo que todo mundo viu esse filme também) ainda ressalta que cada um é importante à sua maneira. Isso tudo, na roupagem de uma comédia adolescente super divertida.


Histórias Cruzadas

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Tá que a mensagem desse filme não é exatamente leve, mas especialmente a forma como ela é apresentada o transforma num filme divertido, sem perder o potencial de fazer pensar. Ele retrata o racismo sofrido pelas empregadas negras durante a década de 60, que acaba virando tema de um livro escrito por uma jornalista.

"Ninguém nunca me perguntou como era ser eu"
Ter a Viola Davis já é mais que motivo pra alguém ver qualquer coisa, só falando...

Eu não vou entrar no mérito da relação pessoa-branca-que-salva-pessoas-negras, porque não me acho a melhor pessoa para falar disso. Por isso foco na forma como o filme trata segregação racial, e o fato de que mesmo após o fim da escravidão, os problemas dos negros ainda estavam (e infelizmente, ainda estão) longe de acabar. 


Mamma Mia


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Eu amo ABBA. Dancing Queen leva a movimentos involuntários no meu corpo, e eu literalmente quebrei meu computador para poder assistir à cena de The Winner Takes It All nesse filme (longa história). Então é tamiresmente impossível (neologismo egocêntrico <3) deixar de falar dele. A lista de pontos positivos desse filme é enorme, então fiquem com a sinopse e ASSISTAM.

"Eu sou livre e sou solteira"
E também é maravilhosa!

Sophie (Amanda Seyfried) vai se casar, e quer descobrir quem é seu pai, para que ele possa levá-la ao altar. Ela lê o diário de sua mãe, Donna (Meryl Streep) e descobre três possíveis candidatos e envia convites para todos. Eles acabam aceitando, desejando reconquistar Donna, que se vê numa enorme confusão, segundo o locutor da Sessão da Tarde


Matilda


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Matilda (Mara Wilson) é uma menina extremamente inteligente que nasceu na família errada. Maltratada e menosprezada a vida toda, ela descobre o amor pela leitura e, em um certo momento, desenvolve telecinese. O que poderia ser uma segunda versão de Carrie, a Estranha é um dos filmes infantis mais adoráveis, na minha opinião.

"Aqueles livros deram a Matilda uma mensagem esperançosa e reconfortante: você não está sozinha"
Simplesmente amorzinho <3

A menina acaba usando seus poderes para superar seus problemas e se divertir, além de ajudar sua professora, Jennifer (Embeth Davidtz), a superar seus medos e problemas do passado. A união e a amizade entre as duas é construída de uma forma delicada, e acaba que é isso que faz com que ambas possam vencer os obstáculos da trama.

E aí? Gostaram da lista? Têm sugestões pra gente? Conta nos comentários, e esperem por mais posts como esse!



Como foi prometido, vamos conversar sobre o Feminismo Radical hoje, de uma forma mais profunda mas ainda sim de fácil compreensão. Antes eu quero avisar que eu não sigo a vertente RadFem, portanto criei esse texto para ser objetivo, sem qualquer menção de uma opinião contra ou a favor proveniente da minha parte.


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Primeiramente, vamos deixar claro que as Feministas Radicais são contra qualquer tipo de discriminação, desumanização e violência contra qualquer ser humano. Elas apenas discordam de certos pontos, e discordar (respeitosamente) de alguém, não é um ato violento!!!


O RadFem tem uma visão própria sobre as definições de gênero e sobre o peso que a sociedade tem sobre a existência social do ser humano. A seguir, vamos conhecer os principais pontos abordados por essa vertente feminista.


RadFems não defendem os gêneros,  mas sim a abolição deles. Os gêneros são divisores de classes que delimitam o papel de cada indivíduo perante a sociedade. A extinção dele faria cair por terra os códigos sociais que ditam o que indivíduos masculinos e femininos podem ou não fazer.


O patriarcado faz uso da divisão do gênero para separar a classe masculina da feminina, permitindo assim uma soberania de uma sobre a outra. 


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O feminismo radical é um ato revolucionário que tem como objetivo derrubar toda e qualquer forma de divisão de grupos que tenham como função favorecer a soberania um sobre o outro (divisão sócio-econômica [ricos prevalecendo sobre os pobres] e divisão racial [brancos prevalecem sobre os negros] por exemplo).


Não são transfóbicas. Reformistas de gêneros veem o gênero como: forma de identidade, sentimentos, natural, fluido, até mesmo biológico. Radicais enxergam os gêneros como: criação social (que favorece o lado masculino), hierárquico e divisor de classes. Se um indivíduo é nascido e criado no gênero masculino, mesmo se anunciando como trans posteriormente, ainda é colocado (segundo as divisões SOCIAIS que regem a classificação dos gêneros) como um ser masculino, ou seja, não é visto como mulher.


Acreditam que a opressão sofrida pelas mulheres ocorre justamente por serem colocadas nessa classificação. Tudo que é criado para marcar coisas de menino e coisas de menina é também uma arma usada para subjugar indivíduos enquadrados em pré determinado gênero.


Encontrei essa frase no site Escrituras Radicais (link abaixo) que descreve bem os pensamentos de que os conceitos de gêneros são opressores:

Mulheres: aquelas que pertencem à classe sexual de pessoas historicamente definidas, limitadas, classificadas e designadas como o gênero feminino pelo patriarcado para que possam ter sua subjetividade, seus corpos, sexo, sexualidade e capacidades reprodutivas dominadas, controladas e exploradas por ele para gerar riqueza para os homens.


Como eu disse, eu não sigo essa vertente feminista, então existem grandes chances de que eu tenha dito (merda) coisa errada ou ter deixado de falar algo importante. Portanto, se você é feminista radical comente o que achou do texto, será um prazer conversar e concertarei o que for necessário. 





Vou deixar alguns textos que a Mandy do blog Mandy Francesa forneceu aqui. Eles serão muito uteis para quem quiser saber ainda mais sobre o Feminismo Radical. Obrigada Mandy.








- Ela tem um gênio forte.
- Ela tem fraco por comida, mas não come qualquer coisa.
- Ela é muito mal humorada.
- Garota cheia de defeitos.
- Ela não usa se for rosa.
- A música fica muito alta quando ela quer.
- Sabia que ela só gosta de cozinhar sozinha?
- Menina cheia de vontades.
- Ela não sai depois das 22h.
- Sopa só se for cremosa.
- Café só com leite.
- Nossa, mas é cheia de manias.
- Fica falando sobre o racismo.
- Ela fica defendendo o feminismo.
- Você viu que ela é a favor do aborto?
- Credo, ela é do grupo do mimimi.
- Ela ganhou alguns quilinhos.
- Tem o cabelo tão armado.
- Podia passar uma maquiagem.
- Mas ela é mulher, tinha que ter vaidade.
- Ela brinca com cachorro sujo na rua.
- Fica com a cara enfiada em livros.
- Sabia que ela ainda assiste Bob Esponja?
- Que garota esquisita.
- Fica dançando essas músicas de Rap.
- Tem hora que anda toda largada.
- Às vezes fala feito barraqueira.
- É uma favelada mesmo
- Não sabe andar de bicicleta.
- Também não sabe nadar.
- Nem assobiar.
- Mas de que mundo ela veio?
- Ela é mandona.
- Gosta de dar palpite em tudo.
- Age como se sua opinião importasse.
- Essa garota nunca vai ser feliz com ninguém.
- Mas essa garota já é tão feliz consigo mesma.

Foto: reprodução/internet

Os pés sobre o tablado, movendo-se em um ritmo ora lento, ora frenético. As batidas compassadas na madeira chegam a criar uma melodia. A ausência de música passa despercebida diante dos movimentos do casal.

O tecido leve do vestido dela esvoaça a cada passo. Um rodopio, um salto, pernas ao ar. Ele mantém o contato visual todo o tempo ao se aproximar dela. Os dois estão unidos agora, fazem todos os passos assim. Em um abraço, com seus movimentos mais sincronizados que nunca.

Sapatilhas deslizando pelo chão, corpos se deslocando graciosamente. Mexendo seus quatro braços, entre encantadores arcos e retas perfeitas. Feições serenas e ao mesmo tempo apaixonadas, olhos faiscantes e lábios movendo-se como se cantarolassem mantras silenciosos.

Os dois corações aceleraram violentamente, mas sempre no mesmo ritmo. Chega o momento do ápice, que exige de ambos a mais perfeita precisão. Se afastam lentamente, primeiro pela cintura, depois desprendendo os troncos, os braços e só então largam-se as mãos.

Andando graciosamente ela se afasta, enquanto ele se prepara. Ela corre com a levesa de uma garça prestes a levantar voo. Ao chegar no ponto exato, salta. Ele a ampara no ombro, e com uma delicadeza sublime vai rodopiando-a ao redor do próprio corpo, envolvendo-se por ela até os pés da bailarina tocarem o chão.

Gradativamente, seus batimentos cardíacos vão abrandando enquanto tornam a dar passos mais leves, mais uma vez unidos. Ele ergue-a do chão pela cintura, e ela rodopia ao pisar novamente no tablado.

Olhos, cabelos, braços, pernas, tronco, mãos, dedos. Corpo, pele, perfume, som. Passos finais. Mais uma vez, ele a suspende, fitando seus olhos. Desce seu corpo lentamente até que ela possa ficar nas pontas dos pés. Mãos, rostos, nuca, olhos. Lábios.

Se fecham as cortinas. Mas não há cortinas. Nem público por detrás delas, nem cenários na frente, nem palco, nem teto, nem iluminação. A única luz emana deles. Tudo que há são os dois e dois corações na mais perfeita melodia embalando a mais perfeita das danças.

                                                                                            Reprodução/Internet



Xiiii, já perdi as contas de quantas vezes já ouvi a expressão, “Nossaaaaaa!! que negra bonita!”

E isto é um problema, sim, sim é sim.

Vamos começar. Quando você encontra uma mulher branca na rua, que você acha muito bonita você por acaso fala, ”nossa! Que branca bonita!!”, não né? E por que, cargas d’agua, quando vai uma mulher negra precisa primeiro dizer que ela é negra?

Antes que você pense, ué, mas ela era mesmo negra...

Talvez eu consiga te explicar porque. Desde os tempos mais primórdios, as negras não estão inclusas no padrão de beleza, somos o contrário, o não linear, com nossos cabelos crespos e volumosos, ou nossas tranças, coloridas, e toda nossa infinita variedade de tons e cores, somos explosão, indagação, a fuga.
Mas, ainda assim, somos mulheres. E como uma mulher, pura e simples, merecemos o elogio, não por ser fora do comum, porque simplesmente não somos. Existe uma ideia de beleza, em que diversos padrões são impostos e disso todos já sabemos, mas, vivemos aqui neste mundão há algum tempo, temos noção que nem todas as ideias preestabelecidas são a verdade absoluta.
E, vamos combinar né?! não são raras as negras bonitas. Então, caso pense em dizer que uma negra é bonita, esqueça de ressaltar que ela é negra antes do elogio, apenas elogie.

Quem escreve



Josiane, mas prefiro ser chamada de Josi, estudante de letras e amante das milhões de formas que estas tem de juntar-se e assim, me faço poesia, as vezes crítica, as vezes observação, só pelo prazer e o alívio que a escrita traz.

 Tá aí uma das milhões e infinitas coisas que me incomodam absurdamente! Não é de hoje que sobrevivo quase que de modo obtuso aos ditames de grandezas que atingem, com assombro, a existência das mulheres – de muitas! Mas, enfim, onde mora o impasse? Eu respondo! No “inha”, no Mi, no Nay, no La, no Tha, e por aí vai! Tudo bem! Eu até entendo a facilidade promovida pele encurtamento, mas, então, por que diabo não nos deparamos com tanta fluidez em apequenar o masculino?! Pelo contrário, pois, ainda que notoriamente pequeno, são eles donos do “ão”. Logo, é Lucão pra lá, Murilão pra cá, Felipão de cá, e assim segue o roteiro.

Minha ideia, sem pretensões mais analíticas, é que há uma pura e grave ameaça a virilidade, pois quem se arriscaria a chamar um homem de Felipinho, por exemplo?! Claro, a menos que a intenção seja a sátira, não há aplicação que denote o contrário. E é aí a minha grande implicância, pois se relegado ao deboche ou ao atributo da fragilidade, é porque nós, ainda que gentilmente, somos fixadas no paradigma arrogante de nos postar em menor escala.


O problema, ademais, é tão irresolúvel e enraizado na mentalidade humana que, quando fazemos uso da formalidade nominal completa, incorremos no grande risco de arranharmos vulnerabilidades e amadurecermos relações de pouca empatia. Até mesmo porque o legado do menor e pequeno se incute afavelmente nas novas formas de nos invocarmos. É quase que um simpático ursinho de pelúcia estendido no meu colchão! Só que eu detesto ursinho de pelúcia e, portanto, requeiro por direito e certidão que se mantenha a designação abstrata que me ofertaram ainda pequena – sem mais, nem menos! Por favor. 







Quer saber porque eu amo a Freddie Oversteegen? Porque em sua juventude, ela foi integrante da resistência holandesa durante a Segunda Guerra Mundial.

A família de Freddie já escondia pessoas que sofriam perseguição em sua casa, antes da convocação.
Freddie, hoje com 90 anos, foi recrutada juntamente com a irmã, Truus (16 anos), por um homem (cujo nome eu não descobri) quando ela tinha 14 anos. Ele pediu a permissão da mãe delas, para que ambas, que não passavam a suspeita de serem rebeldes, pudessem agir contra os nazistas. 

O grupo do qual as irmãs faziam parte também tinha uma jovem chamada Hannie Schaft, a garota dos cabelos vermelhos, a mais famosa entre as três.

Hannie Schaft e Truus, irmã de Freedie, durante a resistência
                      Truus (à esquerda) e Hannie                               
Hannie morreu antes do fim da guerra, um documentário foi feito sobre ela e seu corpo foi enterrado novamente, com a presença da Rainha Wilhemina e do Príncipe Bernhard da Holanda. Há 15 cidades na Holanda com ruas que receberam seu nome. Já  Truus, após o fim da guerra, se tornou porta-voz dos serviços memoriais e artista plástica.

   

Você acha que ela participava da guerra como soldado? Carregando armas e lançando granadas? Não! O trabalho dela (assim como das outras jovens) era seduzir soldados e lideres nazistas. Ela os levava para a floresta, onde membros armados da resistência os matavam, tiravam as roupas e enterravam o corpo. Freddie garante que nunca participou dessa parte e que sempre preferiu assim.

Thijs Zeeman, cineasta holandês, fez um documentário chamado Duas Irmãs na Resistência para a TV, onde conta sobre Freddie e também sobre sua irmã.

Ela deu uma entrevista para a VICE Holanda contando um pouco sobre como foi sua participação na guerra: 


Qual foi o papel de vocês nessa missão?
Não atirei nele — um dos homens foi quem atirou. Eu tinha que ficar de olho na minha irmã e manter um posto de guarda na floresta, para ver se ninguém mais estava vindo. Truus tinha encontrado o homem num bar caro, o seduzido e o levado para dar um passeio na floresta. Ela disse "Você gostaria de dar uma volta?" E claro que ele quis. Aí eles encontraram alguém — o que era para ser visto como uma coincidência, mas ele era um dos nossos — e o amigo disse para a Truus: "Menina, você sabe que não deveria estar aqui". Aí eles se desculparam, deram a volta e foram embora. Aí vieram os tiros, então aquele homem nunca soube o que o acertou. Eles já tinham cavado a cova, mas não tivemos permissão para ver essa parte.

E vocês não tiveram problema com isso?

Não, eu não queria ver mesmo. Mais tarde eles nos disseram que tiraram todas as roupas dele para que o corpo não pudesse ser identificado. Acho que ele ainda deve estar lá.

Vou deixar o link com a entrevista completa aqui. Freddie se mostra encantadora, uma mulher admirável que fez muito por seu país. A luta, a coragem e a resistência dela servem de inspiração para todas nós.

Na época da campanha #meuprimeiroassédio eu não conseguia me lembrar de nada que eu tivesse passado e que se encaixasse na proposta. Eu lia os relatos das outras mulheres e, além de triste por elas, ficava assombrada por perceber que tanta gente já tinha passado por acontecimentos marcantes e cruéis. Eu só conseguia me lembrar das pequenas cantadas de rua, que não, não são bobagens, mas com as quais (infelizmente) toda mulher aprendeu a conviver. Mas depois eu me lembrei que eu tinha, sim, acontecimentos (e até rotinas) que me marcaram de forma negativa, mas que por algum motivo eu havia suprimido. 

Quando eu tinha uns treze anos, eu morria de medo de voltar sozinha da escola, porque uns meninos (sim, meninos, de uns 9 ou 10 anos) sempre passavam a mão na minha bunda e me chamavam de gostosa se eu topava com eles fazendo o caminho oposto, saindo da escola deles. Eu passei a usar minha mochila-carteiro virada para trás, evitava esse horário, e sempre andava junto com uma colega que morava no caminho de casa - e que também morria de medo e desconforto pela situação.

Aos quinze, em um aniversário, um rapaz me chamou para conversar e, do nada, no meio da conversa, tentou me beijar. Eu neguei, mas ele insistiu um pouco. Eu era muito retraída e me senti tão mal que saí de perto dele, corri para o banheiro e vomitei. E quanto mais o amigo dele insistia pra eu "deixar de bobeira" e explicar ao menos "por que não", pior eu me sentia. Por meses eu ficava mal quando lembrava disso ou via esse menino na escola, e escondi o fato, cheia de vergonha.

Aos dezessete, numa festa, um cara tentou me agarrar por trás enquanto eu procurava o banheiro. Ele provavelmente estava bêbado, o que facilitou que eu me desvencilhasse sozinha, sem nem ver quem era. Meu corpo reagiu mal novamente, eu fiquei sem ar, agoniada e com vontade de chora. Mais uma vez, eu me senti como lixo, suja e até um pouco culpada: "por que eu tive que sair de casa, também"?

Comparados com outros relatos, eram coisas menores, mas que por algum motivo me fizeram muito mal na época. E que anos depois  ainda me incomodavam, mas eu simplesmente não conseguia me lembrar deles, se não por acaso ou associação. Cheguei à constatação de que eu fugia desses problemas, mas também que eu criei uma naturalização em torno deles. Esses fatos se anexaram à minha biografia, e por algum motivo minha memória não os considerava dignos de nota.

Mas fazendo esse novo esforço para relembrá-los eu fiz uma outra constatação desagradável. Eu, como tantas outras, me culpava ou me responsabilizava por essas coisas. Ou eu me arrependia de ir àqueles locais, ou eu decidia "me proteger" (como fazia com minha mochila).  Eu, como tantas outras, me culpava pelo que faziam comigo. Mas eu não sou culpada, essas mulheres que passaram por coisas menores, semelhantes ou piores que eu não são culpadas. Não importa o que nossos cérebros ou as pessoas nos digam: nós não somos culpadas pelo que fazem conosco.