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Para eles não é com quem eu me deito
Para eles não é com quem acordo
Para eles é quem assina
Para eles é quem dissemina
Para eles não é quem me faz rir
Para eles não é quem me faz gozar
Para eles é quem aparece
Para eles é o que parece
Para eles não é sobre ser feliz
É sobre ser correto
Para eles não é sobre ser família
É sobre ser estatuto
Para eles não é sobre fé
É sobre religião
Para eles não é sobre aceitação
É sobre negação
Para eles não é sobre escolha
É sobre tradição 
Para eles não é sobre liberdade
É sobre sacrifício
Para eles não é sobre sentir
É sobre escolher
Para eles não é sobre querer
É sobre poder
Para eles não é sobre corpo 
É sobre sexo
Para eles não é sobre desejo
É sobre trauma 
Para eles não é sobre afeto
É sobre carência
Para eles não é sobre beleza
É sobre aparência 
Para eles não é sobre gosto
É sobre vício 
Para eles não é sobre ser
Para eles não é sobre amar
Para eles não é sobre Deus
Para eles eu não passo de um conceito
Muito bem estruturado
Totalmente programado
Para carregar a minha cruz
Enquanto só o que eu quero
É ser

Quem Escreve


                                      


Me chamo Sara, tenho 19 anos, sou geminiana, artista, bailarina, poetiza, professora de dança contemporânea e apaixonada pela arte em todas as suas formas de expressão.
Reprodução/Internet



Ser mulher neste mundo, é, enquanto você anda pela rua, ver um homem, xingando com muita raiva outra mulher, simplesmente pelo short que ela estava usando, ele esbravejava e a xingava dos mais variados nomes, sem razão ou motivo algum. 

Se pensarmos na sexualidade e na repressão que nós mulheres sofremos por todos estes anos, fica claro o porque da raiva dele. Para nós mulheres, como todo mundo sabe, o sexo é considerado pecado, nosso corpo é considerado um convite, uma provocação, terra de ninguém. Somos lidas pela sociedade para servir ao homem de todas as formas, e isso não está mais acontecendo.

 Há o levante das mulheres que simplesmente não querem mais servir a homem algum, a pessoa alguma a não ser a ela mesma e isso incomoda. Para ferir está liberdade e este domínio do próprio corpo, a forma encontrada por muitos é a ofensa, ofende-se a mulher e sua liberdade de ir e vir com a roupa que quiser, ofende-se a maneira como ela se "comporta" a maneira como encara o mundo e sua auto estima. Mina-se, à todo momento, a liberdade e o sentimento de posse, algumas vezes assim, como este homem que citei fez hoje, agora a pouco, ou também em forma velada, fazendo "barganhas" com as mulheres, com frases do tipo "se quiser um homem, não se vista assim" "puta na cama, santa na rua" "não quer nada da vida se veste como vagabunda" e por aí vai...

 É importante lembrar que ao homem é dada toda a liberdade e espaços, ele pode e deve se relacionar com o maior número de mulheres possível e ganha prêmios por isso, ele pode e deve, referir-se a estas mesmas mulheres como vagabundas por terem admitido os mesmos desejos que ele tem, se o sexo é feito a dois, por duas pessoas (ou mais) como só um dos lados é condenado por querer, por estar ali, por fazer? Como pode ele, definir quem são as mulheres "certas" de acordo com a facilidade que transam com ele, e ele nunca é considerado errado? 

O fato é, o corpo é meu, o corpo é dela, de quem a gente quiser e não um local público, onde todos devem palpitar, opinar, cercear e condenar. Se um homem se importar mais com as roupas que a mulher usa na rua do que com seu bem estar e sua inteligência, o problema não está nela, está nele. Ser mulher é pegar trem e ficar com medo quando o vagão está muito vazio. Ser mulher é entrar ainda assim neste vagão, e um homem sentar - se ao seu lado, mesmo com muitos bancos totalmente vazios, e te encarar de forma estranha, com as mãos nas calças.

Sabendo do meu direito a liberdade, pedi licença a este senhor, me levantei e troquei de lugar. Não sou obrigada

Quem escreve


Josiane, mas prefiro ser chamada de Josi, estudante de letras e amante das milhões de formas que estas tem de juntar-se e assim, me faço poesia, as vezes crítica, as vezes observação, só pelo prazer e o alívio que a escrita traz.

Olha, cara, eu tô de boa com esse seu desejo, sabe? É sério, eu não vou brigar por esse motivo. Na verdade, eu até aceito que você tenha suas vontades e preferências. Tranquilo se você curte minas assim ou assado, e que não queira nem passar perto das que não são do estilo que combina com o seu. Olha só, parece que a evolução até explica que você procure sempre pela bunda mais redondinha e pelo peito mais empinado, e eu entendo isso.

Só que, talvez, eu simplesmente não queira ser uma mulher ideal. Sei lá, não tô no clima pra isso, sabe? Não faço questão nenhuma de caber dentro das suas preferências. Fui feita pra mim mesma, não pra você, e estou feliz assim. Olha só, que curioso, eu só não quero que você me queira.

Tudo bem então se eu sou gorda demais, magra demais, alta demais, baixa demais, preta demais, pálida demais, velha demais, nova demais, independente demais, insegura demais, rica demais, pobre demais, mulher demais pra você. Porque talvez eu simplesmente não seja pra você.

De todas as mulheres que não são perfeitas, mas reais