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Na imagem serei eu mesma, porque sim!



Como a sociedade consegui detectar um louco fora do padrão? Existe uma linha para separar o normal do anormal? Não exatamente, mas o simples fato de termos uma visão diferente do resto do mundo já nos transforma em insanos, vergonha da comunidade. 


Sabe aquela celebre frase "A maior evidência de insanidade é fazer a mesma coisa todos os dias e esperar resultados diferentes" (que até hoje eu não sei à quem atribuir)? Pois é dessa forma que eu observo nossa sociedade quimérica. é dessa forma que muitos vivem. Pobres iludidos, estão seguindo o cominho da iniquidade.


Eles querem que eu seja assim também. A normal, a correta, a mulher tradicional brasileira. Siga as regras, seja comportada, não discuta, vá com a corrente, senta, rola, dá a patinha...


MAS EU GOSTO DA MINHA INSANIDADE MEUS CAROS. Gosto de corromper a realidade e transformá-la em algo que seja só meu, que me faça feliz, me mostre o verdadeiro caminho e me entregue à vida, nunca á uma mera sobrevivência. 


Se eu seguir as suas regras digníssima sociedade, ai sim poderei dar adeus a minha sanidade. 


Aplausos aos insanos que fazem da loucura uma realidade feliz e única. Realidade essa que faz a loucura ser normal, e a normalidade algo dispensável!
Cale-se, não pode sair por ai dando sua opinião.







Bem vindos ao meu mundo, no qual sou obrigada a ouvir essa frase todos os dias. As vezes dita com outras palavras, mas sempre com o objetivo de me manter calada.

Para aqueles que não me conhecem, sou uma garota de 22 anos que não tem medo das palavras. Trato as palavras como minhas amigas, pois elas o são. Elas me permitem expressar meus pensamentos, sentimentos e coisas que não seriam possíveis por outros meios. Elas me ajudam a construir o que desejo, sem nunca me julgar ou me repreender. Elas me fazem livre, para espalhar alegrias, compartilhar tristezas e dividir frustrações.

Mas as pessoas, essas tem medo das palavras.

Medo de que suas palavras as joguem contra elas mesmas. Medo que palavras alheias joguem outrem contra elas. Medo de usar palavras erradas. Medo de usar as palavras certas demais.

Esse receio todo faz as pessoas pensarem muito em suas palavras quando só as deveriam dizer. As palavras se tornam sua prisão. E talvez por estarem presas, as pessoas supõe que o mundo seria melhor se não apenas uma ou outra pessoa estivesse trancada dentro de si mesma, mas que todas estivessem em igual posição.

Mas por ser amiga das palavras, por ter sua compreensão, apoio e ser empoderada por elas, não sou capaz de atender a tal pedido. Não sou capaz de pensar demais sobre elas. Não sou capaz de editar meus pensamentos e sentimentos. Não sou capaz de frustrar a mim mesma e as minhas palavras para agradar a outrem. Não sou capaz de não ser eu mesma.

Em um passado distante, eu mesma não me entendia com as palavras, as pensava demais, as guardava demais. Mas percebi que ao permitir que elas fossem livres, quem estava livre era eu.


Nathalia Lourenço