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                                           (Foto: Reprodução/internet)


É muito comum ver uma mulher tentando difamar outra como se precisasse disso para se acrescer como mulher, ou como ser humano.
Me digam por que caralhos existe essa necessidade de buscar defeito na outra? Pra que detonar a ex do atual sendo que ela fez parte da vida do seu atual tanto quanto você está fazendo?
A mídia, e a sociedade tentam o tempo todo rivalizar mulheres ou para vender cosméticos ou simplesmente para sustentar essa sociedade machista onde tudo gira em torno do p.... de homens, uma construção grosseira, mas extremamente verdadeira.
Do que adianta o seu feminismo, se ele humilha outras mulheres, se ele é racista, exclusivo ou difamatório?
A revolução começa no amor, não apenas pelo amor próprio, mas pelo amor entre nós mulheres umas pelas outras.
Pensem em um mundo onde ao invés de putas, gordas, feias, fossemos amigas, aliadas, seres que desconstroem juntas um universo podre voltado sempre para patriarcas.
Não vamos olhar para a outra como se ela fosse uma ameaça, uma inimiga, vamos dar as mãos, queremos as mesmas coisas à luta não é alcançável se deixarmos o ódio nos isolar e nos cegar.

Vamos chegar ao fim do caminho de mãos dadas, nos amando, nos apoiando e sendo muuito mais do que um instrumento de prazer masculino, sendo Irmãs que juntas fizeram a revolução acontecer com o amor. 

Caminhando pela selva de pedra e aço, me esquivando a cada passo para não me deparar com o leão que me cobiça como um pedaço de carne em seu prato. Ou em seu carro? Talvez em sua esquina? Será que é em sua moita que de tudo disfarça? Vai ser onde ninguém puder me ouvir gritar.

As pessoas (as muitas pessoas) não compreendem que meu medo é real e aprisionador. O medo de viver que foi impregnado em minha pele. Assim como se impregna o cheiro do esgoto ao corpo dos ratos, que precisam estar escondidos e acuados em buracos para escapar de todos que os veem como um ser dispensável. Ele nada merece além do sofrimento e os ataques por ser quem é. Eu sou o rato!

Também sou mulher que tem a cor e função de ser húmus. Produzida com o dever de ser fertil, fácil, abundante, útil para a agricultura machista que insiste em me alocar onde achar devido para produzir o que for de seu maior interesse. Sou uma escultura de terracota, que esbanja todo sua cor nos museus criados para a degustação masculina. A arte que deve ser apreciada e usada por todos aqueles que se mostrarem mais afim de impor seu direito de tocar quando quiser, levar para onde mais convier, fazer o que seu instinto primitivo disser, me obrigar ao que eu não quiser.

Nasci com um crachá que me rotula como "ser a ser moldado pelo mundo", de forma que fique mais fácil de ser aceita no mundo. Afinal, o mundo nos fará arrepender de ser diferente do que ele almeja para nós. Mundo, mundo, mundo... Mundo? Nem tanto. Nem todos. Você é diferente, sua amiga pensa de outro jeito, sua vizinha também não quer fazer uso desse rotulo que colocaram em meu crachá. Eu sei, são todas como eu.

O problema não é todo o Mundo, o problema é uma gigantesca parcela dele que insiste em querer molda-lo a sua maneira. O problema esteve em minhas tias que me disseram para andar como moça ao invés de correr feito um cavalo.

" - Parece um menino, tá doido!"

O problema sempre estará nos crachás. São eles que ditam o que você DEVE SER, nunca o que você quer ser. Querer não é poder , afinal. Mas eu quis! Então fiz uso de um pincel permanente para escrever de forma escarranchada em meu peito: 

APENAS EU

Eu quis ser, então eu serei. Serei a menina que corre como cavalo/menino, que fala alto, usa samba canção enquanto está na frente do marido e fio dental quando está sozinha em casa. 

Serei a feminista, já que ele me deu o tal pincel permanente; serei a dona de casa, porque ninguém mais tem capacidade de cuidar da minha casa melhor do que eu; serei a vadia; a recatada, a chefe, a menina, a mãe, a grossa, a meiga.

Mas sabe o que eu nunca mais vou ser? A presa.