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Eu nasci em um lar machista, onde a violência doméstica se alojou em cadeira cativa. Havia o controle sobre a esposa e sobre a filha.

Isso me fez decidir, desde muito nova, nunca me casar. Pra que arriscar uma réplica do casamento dos meus pais? Obviamente eu tentaria percorrer um caminho diferente, mas e se no meio desse caminho minha vida se tornasse um remake de toda aquela violência que eu presenciei e sofri quando criança?

Resolvi que não valia o risco.

Mas o padrão de vida esperado de uma mulher sempre envolve um homem. Somos educadas para gostar de cozinhar, lavar, limpar, cuidar da boneca. Qualidades muito valorizadas quando se diz respeito à uma boa futura esposa. Jamais me perguntaram se eu queria ser uma chef, mas eu era questionada se seria capaz de prender um homem pelo estômago. Me perguntavam se já tinha algum namoradinho, mas nunca qual profissão queria seguir.

Tudo me levando a crer que deveria almejar  um  bom casamento, com filhos felizes e blá blá blá. Então fui planejando minha vida... só que ela seguia a contramão.


  • **Viajar para Florianópolis
  • **Morar sozinha
  • **Curso Superior em Ciências Biológicas
  • **Adoção

Nada me levava aos homens, eu tive poucos namorados (poucas pegações, namorado mesmo foi só um). Fui seguindo os planos, criando novos, abandonando vários. Mas nada sobre longos relacionamentos. No fim, a vida amorosa da adolescência fugia de mim por livre e espontânea vontade.

Então, próxima dos 18 aninhos, conheci o feminismo. Ao contrário do que muitos podem estar pensando agora, ele não me afastou de vez dos homens, ele me aproximou das pessoas certas. Aprendi que desejar a igualdade é maior do que aceitar a submissão, é mais importante do que rejeitar os relacionamentos.

Eu AMO cozinhar, gosto de tudo muito bem organizado e sempre exijo tudo limpo. Aprendi essas essas quando criança para ser uma boa dona de casa, hoje faço tudo isso e gosto. Sabe o que mais aprendi e dessa vez com o feminismo? Que o marido deve cozinhar, organizar e limpar tanto quanto a esposa. Sabe o mais legal? Me casei com um homem que está aprendendo tudo isso. 

Ser ou não uma feminista não é motivo  para casar ou não casar. Pare de procurar/aceitar a hierarquia no casamento. Procure pela igualdade, verá como é muito melhor.

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         O casamento é uma das tradições mais antigas da nossa História. Tratado como aliança, possibilitou acúmulos de grandezas e legados (in) voluntariamente abastados. De qualquer forma, como ato político, o casamento foi e ainda é carregado de significados e tradições que, sob olhos desatentos e acortinados pelo vislumbre dos tecidos, doces e rosas, parece uma sutil e conveniente maneira de dizer “eu amo você!”.


Mas, o que eu acho disso? Bem, não é novidade que desde minha infância me rebelei contra os caprichos de uma sociedade fadada às atenções do masculino, logo, não seria através da opulência que ganha corpo e se converte em um minúsculo momento de exclusividade que minhas críticas sucumbiriam à tradição, não é verdade?!

Embora a compreensão do hábito e da defesa para que se atendam necessidades lapidadas essencialmente em mulheres ainda crianças, o casamento não passa despercebido no que tange suas questões mais intrigantes e eficazmente turvas. Assim, para mim, a efemeridade do ato supõe patrocínios ao masculino e, como tal, zela pela manutenção de uma conjuntura que roga pela lei do mais forte, isto é, o homem.

Posto isso, proponho meus questionamentos mastigados e engolidos com muitas taças de vinhos e outras formas de álcool (o que vier) enquanto observo e PARTICIPO das hipnóticas, para não dizer soníferas, plásticas de alianças. A primeira delas está voltada para a entrada do noivo como sujeito que abre a cerimônia, que, por sua vez, aguarda fechada em choros, suspiros e muita paciência, pela personificação da castidade traduzida em sentidos na cor que ela veste – o branco e, por conseguinte, a noiva.

Se só a intencionalidade do vestido já me incomoda, que dirá o requisito de quem a acompanha, ou seja, o pai! É nesse exato momento que problematizo a experiência de uma mãe, a qual carrega por nove meses um ser humano e a ele ou ela serve como hospedeiro por longos meses da vida, que, em seu momento de destaque, volta-se para o pai e faz dele um sujeito em distinção. Como e por quê?! Alguém explica?!

Por fim, meu momento mais sublime das dissonâncias (sem querer entrar no mérito dos famosos bonecos que ficam em cima do bolo, os quais, não raro, têm noivas "malucas" arrastando seus companheiros), se desenvolve quando o pai entrega sua filha ao marido. Engraçado, mas eu não vejo homens sendo entregues por seus pais às mulheres...

Compactuo com a exigência de aportes capazes de subsidiar qualquer afirmação, mas, em se tratando da História das mulheres, me parece praticamente improvável a necessidade, neste caso, de uma historicização que dê conta de sua condição no passado (legitimada por leis) no que diz respeito sua ausência de autoridade em privilégio do pai ao marido, portanto, de forma prática e sucinta, é notória a percepção de que naquele momento a mulher, assistida por sua mãe, passa da autoridade paterna para a autoridade do marido (ainda que, atualmente, não sejamos mais embalados por pretextos e determinações políticas – o conflito se converge no simbólico).

Enfim, quem disser o contrário está intimado a me fazer enxergar. Quem sabe assim, um dia, não seja eu subindo naquele altar?! Pera! Altar...Igreja...Mulher...Religião??? Acho que precisaremos de mais uma conversa...