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                                        Foto: Tumblr


Na nossa condição irracional, impetuosa, e muitas vezes invejosa temos ânsia de um pra sempre.
Seja o que for, temos a ideia de que todas as coisas não possuem a necessidade de fluir mas sim permanecer estáticas em nossas vidas, como se a escolha fosse apenas nossa, ou melhor necessária.
Vi amigas sustentando um relacionamento abusivo, quantos casamentos sem amor, quantos amigos cursando faculdades infelizes por não se identificarem com a carreira escolhida... Pra que?
Pra que relutar com o destino? Pra que sofrer em vão e derramar gotas de vida lutando por um pra sempre que supostamente deixa sua vida mais sólida ou mais “feliz”?
Por que não deixar o curso da vida nos arrebatar, e nos deixar livres, recomeçar do zero, até que por fim nos encontremos com nós mesmos?
Se pertencer talvez seja a missão mais complexa de nossas vidas, vivemos em busca da liberdade, mas talvez não saibamos ser livres, vivemos em buscas de correntes que fazem nossas vidas fazerem sentido sendo que só é possível viver sem correntes.
Não existem segredos para se viver, e nem livro de autoajuda que nos tire do abismo que chamamos de vida.
Opiniões alheias já não acrescentam mais. Relacionamento bengala, amizade interesseira, faculdade sem vocação, nada disso é vida! A vida tá no respirar livre, no dormir em paz, no reconhecimento de si mesmo quando olha para trás e possui orgulho do caminho seguido.
Só você pode se fazer feliz, e só você é pra sempre seu. 



Hoje cheguei em minha cidade natal para matar a saudade que sinto da minha familia. Sempre que vou visitá-los acabo saindo para passear  com alguém, e dessa vez não foi diferente, sai com minha vozinha e uma de minhas primas.


Entre uma sessão e outra do supermercado, o assunto que surgiu foi o casamento da minha tia, que está muito próximo, e a necessidade de encontrar uma roupa que esconda todas as nossas gorduras. Nossa familia só tem gordas e a preocupação em se boicotar é constante, principalmente com minhas primas adolescentes. Percebi como a festa do casamento aumentou ainda mais a gordofobia existente entre elas, "não tem vestido bonito para mim", "nenhuma blusa vai esconder que sou gorda", "vou de calça, para apertar minha barriga".


Como é difícil ver como elas se menosprezam apenas para agradar toda uma sociedade que não as quer bonitas, mas sim padronizadas e adestradas.


Em uma das lojas em que estivemos paramos para escolher biquínis (o casamento será em um sítio com piscina), aí sim foi um menosprezo total. Não é fácil transmitir amor próprio, na verdade isso é impossível, não podemos transferir. Porém, a desconstrução que eu tenho cada dia mais não as alcança da mesma forma.


Estar de acordo com o que os outros querem é prioridade, cabelo liso e longo, corpo sarado, roupas da moda. Não conseguimos ser nós mesmos no dia a dia, imagina em uma festa de casamento? Onde tudo é  milimetricamente criticado.


Isso foi mais um desabafo eu acho, bem diferente dos textos que procuramos oferecer à vocês. Desculpe por isso, é que me canso do mal que provocam em mim e em todas as mulheres do mundo.
Reprodução/Internet


Já fazem alguns dias que sinto vontade de transbordar para as palavras um sentimento que sei lá ao certo o que é. Talvez gratidão.

Há tempos não me sentia assim, tão satisfeita com tudo, tão contemplando o mundo... Por ora até me escapa alguma lágrima involuntária, mas em momento algum é de tristeza. Combinaria mais com um excesso de transbordar, acho que é isso. É permitir-me.

Hoje vi um parque com cheiro de infância. Daqueles de cidade pequena sabe? Cheio de luzes coloridas. As luzes do parque fizeram acender em mim cores que eu mal sabia que tinha... Ah, que graça elas são!

Os gritos misturados com risadas e gente saindo daquele lugar com algodão doce na mão me fizeram lembrar o quão efêmera é a felicidade. Talvez dure o segundo de um dos brinquedos quando está parado no ar de ponta cabeça ou talvez dure os minutos enquanto se dissolve na boca o açúcar do algodão.

Não sei se é a chegada da primavera, se é a tensão pré-menstrual... Só sei que hoje fiz de mim parque. E só torço para que valha a pena o preço do ingresso. Que seja doce como o algodão e leve como a brisa que bate na nuca quando o brinquedo vira. Que seja. E assim seja!
Imagem/Google 

De acordo com os dados do Instituto Nacional do Câncer - INCA, a estimativa de novos casos de neoplasia mamária são de mais de 50.000 mil ao ano, acarretando de forma mais comum entre mulheres, apesar de afetar 1% dos homens na avaliação total de casos da doença.

O câncer de mama é umas das causas que mais matam mulheres no Brasil, entretanto, Flávia Flores, ex-modelo de 37 anos, saiu dessa estatística e agora ajuda a outras mulheres a lidarem com os desafios da doença, e entre eles, a baixa auto estima, mantendo um blog de moda e beleza para mulheres que enfrentam o câncer. A ex-modelo descobriu a doença em outubro de 2012 e acabou deixando São Paulo para voltar para a cidade natal, visando se tratar perto da família que vivi em Florianópolis.

Imagem/Google 

Como sempre foi vaidosa, Flávia optou por auto estima para vencer a doença, e se manteve entusiasmada até mesmo após a retirada das mamas, depois das meses de quimioterapia, que altera a pele e faz perder os cabelos, algo que atormenta inúmeras mulheres que interligam beleza a isso.

E foi essa vaidade que a motivou a criar o blog a três anos atrás, o Quimioterapia e Beleza, que hoje ajuda mais 86 mil seguidores.

Imagem/Google

O blog compartilha das histórias das seguidoras que enviam fotos enquanto estão em tratamento, ou já passaram por ele, mostrando sua luta diária contra a neoplasia. A blogueira também mantém uma rede de doação, o Banco de Lenços, o qual qualquer pessoa pode receber um lenço em qualquer lugar do Brasil, basta se cadastrar no blog, tudo isso de graça, inclusive a entrega.

Apesar de Flávia ainda precisar tomar medicamentos, ela voltou para SP e diz completamente feliz e realizada " Eu acho que sou uma fadinha que realiza desejos, e isso me faz tão bem" finaliza, a fadinha das flores mais que especiais.










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Reprodução/Tumblr

Texto escrito pela Nathalia Lourenço para o Elas Por Elas


Era uma vez, uma moça inteligente, divertida, linda, simpática… e insegura.

Não posso nomear a moça, elas são muitas, são minhas amigas, são mulheres que nem conheço, sou eu mesma.

Não sou capaz de contar a quantidade de garotas que conheço que são inseguras, muito inseguras. Também não sou capaz de contar a quantidade de relatos diferentes e ainda assim tão parecidos sobre suas inseguranças.

Ah, moça… se soubesse que isso tudo são armadilhas que colocaram na nossa cabeça…

Desde muito cedo somos ensinadas sobre como devemos nos vestir, falar, como nosso corpo deve parecer. E ai, se foge desses padrões, bom, vão te aconselhar “amigavelmente” a mudar. Afinal, é para seu próprio bem que você seja magra, tenha cabelos lisos, que fale como uma moça deve falar, que se porte como uma dama e outras coisas.

O que as pessoas não percebem, ou resolvem ignorar, é o quanto isso é tóxico, ter que fingir ser quem não se é ou perseguir um ideal de beleza mesmo que isso custe sua saúde.

Pretty Hurts (A beleza dói), música de Beyoncé


Acredito que toda essa exposição do “normal” e padrão na mídia a qual estamos acostumadas seja a maior culpada por toda nossa insegurança.

A beleza é uniformizada, e todas devemos ser assim, idênticas, mesmo que tenhamos um metabolismo ou genética diferentes e outro estilo de vida.

E, supostamente, quando atingirmos esse tão desejado padrão seremos mais felizes do que somos agora.

Sinto muito moça. Sinto muito por terem colocado essas coisas todas na sua cabeça, por terem te feito pensar que não é boa o bastante, linda, inteligente. Sinto muito por não terem te ensinado a se amar, a ver todas as suas qualidades e a ressalta-las sejam elas físicas ou não.

                      Você é gentil, você é inteligente, você é importante. (Filme: Histórias Cruzadas)

Te convido a olhar para o espelho, a enxergar sua beleza e a pensar nas suas qualidades. Pode ser um pouco difícil se não estiver acostumada a se ver dessa maneira, então peça ajuda as suas amigas, com certeza elas saberão te apontar os motivos por você ser bela e especial.

Eu escrevi tudo isso só para dizer que você é linda moça. Acredite.
          (Foto: Tumblr)


Sempre fui poliamor e favorável ao poliamor, mas de uns tempos pra cá o apego tomou conta de mim. Posso parecer uma louca desvairada e anacrônica, mas no momento só uma pessoa me faz feliz dentro de uma relação de dependência.
Eu tenho ciúmes sim, medo de perder e vontade de ficar perto do fulaninho a todo o momento e me julguei muito por essa necessidade absurda e metódica de ter e ser completada por um só alguém sendo que existem 7 bilhões de pessoas no mundo.
Apesar das minhas pequenas crises meu amor e desejo não faz com que todas as mulheres do mundo tornem-se minhas inimigas, meu choro de ciúme é pelo medo de perder e não culpa das outras mulheres.
Minha intensidade sempre foi sufocante, e se eu to só com uma pessoa ela terá de mim tudo, mas isso não fará com que eu abra mão de quem eu sou, nem das minhas lutas e ideias, o meu amor anda de mãos dadas com a calmaria de saber que tenho do meu lado um alguém recíproco, que me ama com a minha intensidade e paranoias sem abusar do meu eu.
Eu não quero perder esse alguém, mas também não quero me perder em devaneios de posse e muito menos em histerias sem sentidos. Eu mereço e quero um alguém que me de as mãos nos momentos de desespero, e os beijos mais alucinados nos momentos que o tesão toma conta do meu pequeno ser.

Não desista de mim, mas não espere que um dia eu mude, eu quero você com todos os defeitos e artimanhas que te pertencem, e quero que me queira  inteira, maluca, neurótica, e acima de sua,  minha , toda e eternamente minha. 

 
Jacqueline Lamba e Frida Kahlo (Foto: Divulgação) 

Enquanto uma guerra eclodia na Europa mulheres inspiradas suspiravam suas artes pelas mãos de Frida Kahlo, a grande inspiração feminista e surrealista da época.
Com um misto de sonhos, folclore, sentimentos e extrema realidade, essas mulheres transbordaram a sua arte e inspiraram o México e o mundo.



  1- Jacqueline Lamba: Conhecida pela sua personalidade ardente e forte, sua obra transbordava o eu da artista, sendo diferenciada, forte e única.


  2-  Remedios Varo:   Ela foi forçada a exilar-se da capital francesa durante a ocupação nazista da França e mudou-se para a Cidade do México em fins de 1941. Embora ela considerasse o México como um refúgio temporário, o país acabou por tornar-se sua residência definitiva inspirando muitas de suas obras e personalidade de suas pinturas



   3-   Maria Izquierdo: considerada pelo  pintor mexicano Diego Rivera, a artista com uma das personalidades mais atraentes do panorama artístico da época e da Academia, chamando-a de “um valor seguro; seguro y concreto”. Suas obras são conhecidas pela intensidade de suas cores
                                                           (Foto:Tumblr)



A sensação de não se encaixar em porra nenhuma é algo que sempre influenciou à minha maneira de viver a vida.
Comecei a faculdade em um curso e universidade ambos maravilhosos e ao mesmo tempo que sentia como se nada me faltasse, um vazio imenso e uma dificuldade enorme em socializar com aquele pessoal me tiravam do sério.

Nunca tive dificuldades em socializar, inclusive a miscigenação de culturas, gostos, modo de ver a vida foi algo que sempre me encantou e atraiu-me profundamente.
O fato é, eu sempre me achei errada demais para o mundo e tentava realizar mudanças impossíveis no meu modo de viver. Mas será que eu estive certa esse tempo todo em que tentei mudar meus aspectos para me encaixar em uma sociedade extremamente escrota e por muitas vezes ignorante?  Obvio que não, e eu sempre soube disso.

A aceitação de que eu não estava errada em não me encontrar no limbo social, me dá um certo alivio e desespero continuo. É muito chato se sentir sozinha no mundo, abandonada, desgostosa, mas mais chato ainda é fazer parte de uma sociedade padronizada onde as regras são impostas por corpos perfeitos, dinheiro, e vazios existenciais.

O meu vazio é fruto de uma solidão, do fato de não conseguir me encontrar em meio a multidões, e não um vazio de mim mesma. Eu sei que sou completa, tenho meus conhecimentos, minhas vontades, minha solidez pessoal, e eu não preciso de respostas do mundo para saber se estou certa ou errada no meu modo de viver, mudar o mundo sempre foi uma vontade minha da juventude, mas não tornando as pessoas parecidas comigo (até porque isso seria insuportável) o que seria mudar de uma padronização para outra.

O que eu realmente sinto vontade é de pegar um martelo magico que pudesse quebrar todo e qualquer bom costume que obrigue as pessoas a seguirem padrões, e se afastarem de seus desejos e vontades.
Tudo o que eu quero é demonstrar meus desejos, me realizar, e sentir a vida em mim como se sente pingos de chuva em uma tempestade, não aguento mais me esconder da chuva, da vida, das coisas boas que o mundo omite atrás de uma máscara de massificação e padronização.

Eu quero a luz de ser eu mesma e sentir a s radiações alheias como uma mágica que me adentra, me toca, e me transborda, quero ensinamentos e novidades que são inadmissíveis a consciência da sociedade atual.

Afinal, talvez eu só precise de liberdade, liberdade o suficiente para libertar, salvar e me salvar; liberdade de viver sem amarras, travas, mesmices, angustias. O mal amar e o amar fazem parte da alma, estou virando a outra face para a vida bater. 
                                                                            Foto: Divulgação

Escrevi esse texto porque estou cansada de ver gente romantizando depressão.
Vamos lá, depressão é uma coisa séria e não um capricho adolescente, e nem uma invenção para chamar a atenção.

As crises são terríveis a ponto de não permitir que a pessoa saia da cama, se entregue a choros  pouco a pouco perdendo a vontade de fazer qualquer tipo de atividade.

Aceitação e tratamento são o fundamental para a sua vida, a doença em si não te prejudicará em nada, mas o modo que você digere palavras alheias sim.

Não deve ser normal falar para uma pessoa que sofre desse mal que a culpa é dela, que tudo pode se resolver basta querer. Assim como um monstro de mil braços a depressão agarra as vitimas e as sufoca de modo que elas nem ninguém são capazes impedir.
Tenho depressão desde os 16 e sinto crises existenciais constantes, por muito tempo me senti pressionada achando que a culpa era minha, que precisava me render alguma forma, ser grata a minha vida ou simplesmente “parar de frescura” como todos a minha volta recomendava.

Meu recado não é para essas pessoas que por muitas vezes por falta de informação ou simplesmente falta do que fazer recomendam para que pessoas que sofram desse mal simplesmente o deixem pra lá e aproveitem a vida que tem. A única coisa que eu tenho a dizer a pessoas que rodeiam alguém que sofre com depressão é: cuidado com suas palavras, algo que não te fere pode soar brutal a esse alguém, tomar cuidado com as palavras ditas é o mínimo que você deveria ter aprendido com a tia do pré.

Pessoa como eu que possuem o diagnostico, precisam mais do que nunca acreditar em si mesmas, realizar o tratamento e por hipótese nenhuma deixar seu brilho se corromper com amarguras alheias.

A culpa não é sua, e você não tem controle sobre seus sentimentos e tão pouco sobre esse monstro que te rouba à vitalidade, você não precisa da opinião dos outros e tão pouco da pena de ninguém.

Você é bem mais que tudo isso e não precisa de boas palavras e tão pouco de más, só precisa da coragem de ser tudo que és, sem limites, ou mentiras, mas com devaneios, ânsias, amores e loucuras, como qualquer outro ser. Acredite no atual momento estamos todos inabitáveis.  

O universo infantil é regado de futilidades, princesas de corpos magros e feições delicadas, fadas madrinhas, príncipes encantados que surgem para salvar donzelas submissas e indefesas, além de outros estereótipos “encantados” prontos para modelar crianças para a vida adulta integrada a uma sociedade onde não existe espaço para as diferenças e tão pouco para uma igualdade de gêneros.
Pensando nisso, fiz questão de selecionar seis livros onde contos de fada são desbancados por histórias que realmente possuem algo a dizer.


1-    Malala, a menina que queria ir para a escola
A protagonista da história, além de real dá um exemplo de resistência, luta e emponderamento. Atualmente com 19 anos continua na luta pela a educação das mulheres de seu Pais.


2-    Procurando firme
Conta a história da personagem Linda- flor, uma princesa que deseja bem mais do que um marido e a submissão das regras de seu reino. Seu maior desejo é conhecer o mundo e se aventurar!


3-    Olivia não quer ser princesa
Olivia é uma porquinha irreverente que enfrenta uma crise de identidade infantil. Enquanto todas as suas amigas querem se tornar uma princesa, Olivia sente a necessidade de ser diferente, sonhar sonhos diferentes. Isso faz com que a contestadora porquinha busque alternativas para descobrir o que deseja ser


4-     Quase de verdade
Ulisses é um cachorro que late histórias para a sua dona, entre essas histórias uma aventura que viveu no quintal da senhora Oniria. Lá existia vários galos e galinhas felizes, porém a enorme figueira que tinha inveja de toda essa alegria  estava disposta a tudo para acabar com ela. 
Clarice Lispector mostra de forma suave e infantil  sentimentos humanos.


5-    Cici tem pipi?
Para Max a sociedade  era dividida em pessoas com pipi, que eram mais fortes por terem pipi, e as sem pipi. Até que em um belo dia, uma nova aluna entra para a turma de Max e o deixa intrigado. Cici não desenha florzinhas, joga bola, e anda de bicicleta. Logo o menino levanta a hipótese: Será que Ceci tem Pipi?
A história é incrível e trata as semelhanças e diferenças entre meninos e meninas.

6-    Pippi meialonga

A personagem tem apenas 9 anos, incrivelmente forte, sem pai e nem mãe Pippi aprendeu a ser independente e corajosa desde cedo. Possui sempre a resposta na ponta da língua, além de uma extrema confiança em si mesma.
Reprodução/Internet


Eu escrevo esse texto por três motivos: porque eu já estive em um, porque minhas amigas já estiveram/estão em um e o mais importante: porque sempre vejo muitos julgamentos entorno do que é estar em um.

Quantas de nós já não ouviram coisas do tipo: “Você está nessa situação por que quer.”, “Você gosta de sofrer?”, “Você é cega?”, “Será que você não percebe o que está acontecendo?”. Dentre muitas outras perguntas que nos são feitas no intuito de ajudar, mas, que na verdade só nos magoam ainda mais. Como diria a brilhante Jout Jout sobre relacionamentos abusivos; “Uma parte de você sabe, mas, você meio que não sabe ao mesmo tempo.”(Para quem não conhece o vídeo, clique aqui)

Mas, a questão é: “Se sabemos, não deveria ser fácil então dar um basta?”. Bom, deveria, mas não é. Usando meu relacionamento abusivo como exemplo, e analisando outros relatos que já ouvi, não é tão simples acabar com um relacionamento assim por inúmeros fatores, vou citar alguns que eu considero os principais:

Você demora a acreditar que a pessoa que você ama não te ama também.


Cada um tem sua forma de demonstrar amor, carinho e afeto. Ok. O ponto é que; por estarmos muito envolvidas naquela situação, não percebemos que a pessoa com quem estamos, demonstra através de censuras, descasos, violência verbal e/ou física, ignorar nossas necessidades, além de muitas outras formas de abusos, não se importar conosco e com nosso bem estar. Então, começamos a nos enganar para justificar aquela situação: “Ele é assim mesmo.”, “Ele não estava num dia bom”, “Ele não foi acostumado a pedir desculpas.”, “No fundo ele também estava sofrendo.”


Ele te faz crer que a culpa é SUA, e assim você começa a aceitar que é mesmo.


Usando um exemplo pessoal, muitas vezes meu ex me tratou mal, mas não deliberadamente, e sim de uma forma muito articulada, para que eu acreditasse, que se ele estava agindo daquela forma, bom, alguma coisa EU tinha feito. Óbvio, que erros todo mundo comete na vida, e não estamos isentos de irritar alguém uma vez ou outra. Só que quando se trata de relacionamentos abusivos, não percebemos de forma clara como as situações são sempre projetadas para o nosso comportamento, por exemplo: “Eu desligo o telefone na sua cara, porque você chora demais”, “Eu não vou mais sair com você, você é muito histérica”, “Você é a pior mulher de todas” (sim, isso já foi me dito).

E é aí que ao invés de nos perguntamos: mas eu SOU assim, ou eu ESTOU me sentindo assim por algum motivo? Com quem me trata bem, eu ajo da mesma forma?, Eu tinha esse comportamento antes de conhecê-lo? Nós começamos a pensar: “puxa, ele tem razão, vou me controlar mais.” Mas depois de dias, meses ou até anos, nos damos conta de que nunca é o suficiente.

No fundo, você acredita que o amor cura tudo.


Desde nossa infância, a maioria de nós (mulheres) éramos educadas para sermos, gentis, dóceis, amorosas e prestativas. (algumas não foram criadas assim, e outras simplesmente não têm todas essas características, mas vou abordar o que acontece na grande maioria das vezes). Crescemos com o nosso imaginário sendo moldado para que não importa o que aconteça, no fim, o amor triunfará. Isso está nos filmes, nas novelas e nos milhares de livros de auto-ajuda que em sua grande maioria são destinados a nós. Nós temos uma imensa variedade de textos nos dizendo como deveríamos agir para conquistar o homem amado, (até nas revistas voltada paras as adolescentes), enquanto que para o gênero masculino, esse tipo de “manual sobre o gênero oposto” é ínfimo.

Sendo assim, é muito difícil dar um basta em algo que no fundo, você acredita que possa dar certo. Isso se aplica até a aquele emprego que você detesta, ou aquela faculdade que você não suporta, mas, permanece, porque tem a sensação de que um dia tudo vai melhorar. (Ainda assim, outros tipos envolvimentos, como faculdade ou emprego, por exemplo, geralmente, dependem SÓ de você e do seu comportamento para prosperar. O seu relacionamento não, ele depende de DUAS pessoas. E infelizmente, nos esquecemos disso.). Dessa forma, tentamos amar por dois. Conciliar por dois. Conversar por dois. Entender por dois.

Como sua auto-estima foi bombardeada com negatividade, você sente que ninguém mais vai te dar uma chance "como ele deu".


“Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade” – Joseph Goebbels. Essa frase dita Goebbels, traduz o que acontece na nossa mente, depois de se incutir uma ideia várias e várias vezes. (Para quem não sabe, Joseph Goebbels era ministro de propaganda de Adolf Hitler.).

Logo, se é possível “moldar” o pensamento de milhares de pessoas, usando um ideal, também moldamos os nossos, quando sofremos abusos de nossos parceiros. Começamos a nos questionar, quem mais poderia ficar conosco, se somos assim tão: “loucas”, “gordas’, “burras”, “histéricas”, “choronas”, “____insira aqui mais adjetivos depreciativos que eles dizem___”. Dessa forma, começamos a acreditar que é melhor estar com alguém mesmo que te trate mal, AINDA está contigo.


Depois de um tempo, ele parece ter melhorado (mas só parece).


Isso acontece muito depois de um término, um tempo, ou uma briga muito feia. Ele depois de um tempo, parece ter finalmente assimilado que as coisas estavam ruins, e que a partir de agora ele vai fazer de tudo para que nada daquilo se repita, e fique agradável novamente. Isso também aconteceu comigo, depois de um ano, meu ex voltou querendo falar comigo, parecendo realmente muito arrependido do que aconteceu. Não deu duas semanas e ele voltou a me tratar mal novamente, e agir como um completo egoísta. O porquê de isso acontecer? Bom, eu não sei dizer o que se passa na cabeça alheia, e meu texto nem está aqui pra isso. Está aqui para dizer: não se culpe caso isso tenha acontecido. Mesmo que essa chance tenha sido dada muitas vezes. Como eu disse, quando nós realmente queremos acreditar que tudo vai ficar bem, às vezes, é só de uma promessa (mesmo que falsa) que um coração machucado precisa.

Ele te ameaça.


Você já percebeu que há algo errado, e conseguiu ter forças para acabar com o relacionamento. No entanto, você começa a receber ameaças para que mude de ideia: “Eu vou aparecer no seu trabalho.”, “Eu vou me suicidar se você fizer isso.”, “Eu vou tomar os seus filhos.”, “Se você fizer isso, eu nunca mais vou te deixar em paz..”. E como obviamente você não quer que nada disso aconteça, você desiste do término e permanece.



Portanto, eu escrevi esse texto não só para ajudar as minas que estão passando por isso, mas para principalmente dizer: tentem não julgar. Eu sei que é difícil, e às vezes eu mesma caio nessa armadilha. Se essa mina é sua mãe, filha, amiga, irmã, colega... Não aponte o dedo, fazendo-a se sentir (mais) culpada por não conseguir sair de um relacionamento. Veja, bem, meu texto de forma alguma, está aqui para apoiar, ou incentivar as minas a continuarem em relacionamentos abusivos, muito pelo contrário. Eu citei quatro possíveis justificativas, mas, eu tenho certeza que existem muitas outras. Às vezes ela simplesmente não tem forças, por estar extremamente deprimida, não tem informação, não tem apoio, está sendo ameaçada... Então se você se encontra nessa situação, não vou terminar esse texto com a frase: sai logo dessa. E sim: um dia você vai sair, mas enquanto esse dia não chega, estaremos aqui.



 Ps1: Meu texto foi baseado em relacionamentos heterossexuais, homem (cis) (abusivo) – mulher (cis) (“vítima”), mas, eu sei que existem outros tipos de relacionamentos em que o abuso também acontece. Escolhi falar sobre esse parâmetro porque é onde muito vejo mais relatos e vítimas, principalmente pelo machismo tão claro na nossa sociedade.

 Ps2: Se você não se sente a vontade com seu relacionamento, procure ajuda. Converse com alguém, existem diversos tipos de terapias que você pode procurar para recuperar sua auto-estima. Em casos de violência, ligue 180.



Quem escreve



Luiza Pion, estudante de produção cultural, aquariana, feminista, idealista e empreendedora. CEO da Dulce Tangerine. Acredita que a arte pode mudar o mundo.

Caminhando pela selva de pedra e aço, me esquivando a cada passo para não me deparar com o leão que me cobiça como um pedaço de carne em seu prato. Ou em seu carro? Talvez em sua esquina? Será que é em sua moita que de tudo disfarça? Vai ser onde ninguém puder me ouvir gritar.

As pessoas (as muitas pessoas) não compreendem que meu medo é real e aprisionador. O medo de viver que foi impregnado em minha pele. Assim como se impregna o cheiro do esgoto ao corpo dos ratos, que precisam estar escondidos e acuados em buracos para escapar de todos que os veem como um ser dispensável. Ele nada merece além do sofrimento e os ataques por ser quem é. Eu sou o rato!

Também sou mulher que tem a cor e função de ser húmus. Produzida com o dever de ser fertil, fácil, abundante, útil para a agricultura machista que insiste em me alocar onde achar devido para produzir o que for de seu maior interesse. Sou uma escultura de terracota, que esbanja todo sua cor nos museus criados para a degustação masculina. A arte que deve ser apreciada e usada por todos aqueles que se mostrarem mais afim de impor seu direito de tocar quando quiser, levar para onde mais convier, fazer o que seu instinto primitivo disser, me obrigar ao que eu não quiser.

Nasci com um crachá que me rotula como "ser a ser moldado pelo mundo", de forma que fique mais fácil de ser aceita no mundo. Afinal, o mundo nos fará arrepender de ser diferente do que ele almeja para nós. Mundo, mundo, mundo... Mundo? Nem tanto. Nem todos. Você é diferente, sua amiga pensa de outro jeito, sua vizinha também não quer fazer uso desse rotulo que colocaram em meu crachá. Eu sei, são todas como eu.

O problema não é todo o Mundo, o problema é uma gigantesca parcela dele que insiste em querer molda-lo a sua maneira. O problema esteve em minhas tias que me disseram para andar como moça ao invés de correr feito um cavalo.

" - Parece um menino, tá doido!"

O problema sempre estará nos crachás. São eles que ditam o que você DEVE SER, nunca o que você quer ser. Querer não é poder , afinal. Mas eu quis! Então fiz uso de um pincel permanente para escrever de forma escarranchada em meu peito: 

APENAS EU

Eu quis ser, então eu serei. Serei a menina que corre como cavalo/menino, que fala alto, usa samba canção enquanto está na frente do marido e fio dental quando está sozinha em casa. 

Serei a feminista, já que ele me deu o tal pincel permanente; serei a dona de casa, porque ninguém mais tem capacidade de cuidar da minha casa melhor do que eu; serei a vadia; a recatada, a chefe, a menina, a mãe, a grossa, a meiga.

Mas sabe o que eu nunca mais vou ser? A presa.
Reprodução/Internet



Eu gosto de cálculo, biologia e ciência, mas também gosto de cozinhar. Faço ballet e passo horas fazendo ponto cruz mas também gosto de catuaba e cerveja. 


Nunca fui boa em videogame mas eu gosto de tentar, nunca aprendi a dirigir mas isso nunca me impediu de chegar onde eu quisesse. Eu gosto de ler e amo estudar, mas eu também amo ir à academia, sair à noite e voltar de manhã.


Ter filhos é um dos meus maiores sonhos, assim como terminar três graduações, fazer mestrado e doutorado. Agora aqui no meu computador tem aba aberta sobre planta, psicologia, circuitos eletrônicos, sexo, fisiologia, blog de moda e política. Eu nunca fui uma coisa só, nunca me encaixei na ideia bizarra de que mulher TEM QUE SER algo – porque desde que a gente nasce somos definidas pelos outros, nunca por nós.


Eu passei muito tempo confusa por gostar de tudo e por muito tempo não consegui ser uma coisa sem me culpar por não ser outra. Até o dia em que eu entendi que eu só tenho que ser o que eu quiser, mesmo. 


O absurdo é que esse texto tenha tantas palavras “mas”, porque na realidade estudar pra caralho não tem nada a ver com gostar ou não de ir pro bar. Eu gosto de carnaval e de física quântica, sou sensível e tô aprendendo a reagir quando devo, sou namorada e independente, curto maquiagem e as vezes passo meses sem depilar a perna e bem, nenhuma dessas coisas anula a outra, e o principal: ninguém tem merda alguma a ver com isso, eu posso ser e sou muito mais do que qualquer um ache que eu deva.

Quem escreve


Kéuri Santos, 23 anos, estudante de Neurociência na UFABC por paixão e professora de inglês por amor.

- Ela tem um gênio forte.
- Ela tem fraco por comida, mas não come qualquer coisa.
- Ela é muito mal humorada.
- Garota cheia de defeitos.
- Ela não usa se for rosa.
- A música fica muito alta quando ela quer.
- Sabia que ela só gosta de cozinhar sozinha?
- Menina cheia de vontades.
- Ela não sai depois das 22h.
- Sopa só se for cremosa.
- Café só com leite.
- Nossa, mas é cheia de manias.
- Fica falando sobre o racismo.
- Ela fica defendendo o feminismo.
- Você viu que ela é a favor do aborto?
- Credo, ela é do grupo do mimimi.
- Ela ganhou alguns quilinhos.
- Tem o cabelo tão armado.
- Podia passar uma maquiagem.
- Mas ela é mulher, tinha que ter vaidade.
- Ela brinca com cachorro sujo na rua.
- Fica com a cara enfiada em livros.
- Sabia que ela ainda assiste Bob Esponja?
- Que garota esquisita.
- Fica dançando essas músicas de Rap.
- Tem hora que anda toda largada.
- Às vezes fala feito barraqueira.
- É uma favelada mesmo
- Não sabe andar de bicicleta.
- Também não sabe nadar.
- Nem assobiar.
- Mas de que mundo ela veio?
- Ela é mandona.
- Gosta de dar palpite em tudo.
- Age como se sua opinião importasse.
- Essa garota nunca vai ser feliz com ninguém.
- Mas essa garota já é tão feliz consigo mesma.



Para eles não é com quem eu me deito
Para eles não é com quem acordo
Para eles é quem assina
Para eles é quem dissemina
Para eles não é quem me faz rir
Para eles não é quem me faz gozar
Para eles é quem aparece
Para eles é o que parece
Para eles não é sobre ser feliz
É sobre ser correto
Para eles não é sobre ser família
É sobre ser estatuto
Para eles não é sobre fé
É sobre religião
Para eles não é sobre aceitação
É sobre negação
Para eles não é sobre escolha
É sobre tradição 
Para eles não é sobre liberdade
É sobre sacrifício
Para eles não é sobre sentir
É sobre escolher
Para eles não é sobre querer
É sobre poder
Para eles não é sobre corpo 
É sobre sexo
Para eles não é sobre desejo
É sobre trauma 
Para eles não é sobre afeto
É sobre carência
Para eles não é sobre beleza
É sobre aparência 
Para eles não é sobre gosto
É sobre vício 
Para eles não é sobre ser
Para eles não é sobre amar
Para eles não é sobre Deus
Para eles eu não passo de um conceito
Muito bem estruturado
Totalmente programado
Para carregar a minha cruz
Enquanto só o que eu quero
É ser

Quem Escreve


                                      


Me chamo Sara, tenho 19 anos, sou geminiana, artista, bailarina, poetiza, professora de dança contemporânea e apaixonada pela arte em todas as suas formas de expressão.

Reprodução/Pinterest
         

Redondos, ou não
Firmes, ou não
Proporcionais, ou não
Grandes, ou não
Pequenos, talvez
Ou nem tanto assim
Caídos, ou não
Iguais, ou não
Naturais, ou não
Com leite, ou não
Fabricados, talvez
Ou nem tanto assim
Sejam como forem, mulher
São teus
E são assim
Também formam a tua beleza
É teu corpo, mulher
Se ame assim
É teu o seio
É tua a madre
São tuas as curvas
É você
É teu o coração
Que o teu próprio seio esconde
Guarda
É a tua casa
E é linda assim.


Quem escreve 

                                                  

Me chamo Sara, tenho 19 anos, sou geminiana, artista, bailarina, poetiza, professora de dança contemporânea e apaixonada pela arte em todas as suas formas de expressão.
Imagem: reprodução/internet

Quando eu era pequena, costumava ser faladeira. Vejo vídeos de quando eu tinha uns 5 anos e imagino o quanto devia ser irritante ver aquela miniatura de gente com aquela vozinha esganiçada tagarelando pela casa afora. Eu lembro que também chateava meus colegas de classe e professoras de tanto que eu falava. Eu prestava muita atenção na aula, mas eu gostava de falar. Então me mandaram calar a boca.

E eu me calei. Me calei por anos, ao ponto de, na adolescência, ouvir um “ó, ela fala” depois de algumas semanas numa escola nova. Desenvolvi uma timidez muito grande, medo de me expressar, medo de ser julgada. Também passei a falar baixo (coisa que faço até hoje), e mesmo no único lugar onde eu me sentia à vontade para me expressar (em cima de um palco), eu ouvia meus professores mandarem eu falar mais alto.

Mas dessa vez eu não falei mais alto. Continuo com a voz baixinha, continuo me sentindo à vontade para falar muito apenas entre conhecidos, continuo achando que os incomodo com minhas conversas chatas. Ainda tenho medo de falar algumas coisas que acabam ficando apenas no pensamento, mesmo estando numa roda de conversa. Meu coração ainda palpitava no último ano de faculdade, nas poucas vezes em que eu tinha coragem de levantar a mão em classe.

Não me mandaram calar a boca apenas uma vez, e nem só com palavras. Me mandaram calar a boca praticamente todas as vezes em que eu falava. Sim, recebi castigos mais severos que o aceitável por falar demais, mas ainda acho que esse foi o menor dos fatores. Me mandavam calar a boca quando debochavam do que eu falava, quando me ignoravam por gostar de coisas diferentes dos meus colegas, quando não respeitavam minhas opiniões. E eu, em fase de desenvolvimento, fui acreditando que eu merecia mesmo era calar a boca.

Mas um dia eu descobri que eu não precisava tanto assim da boca para me expressar. Conheci a escrita, e todas as possibilidades que ela me dá. Comecei na literatura amadora, então cursei Jornalismo, e descobri causas sociais. Virei feminista. Ainda escuto calada quando algumas pessoas destilam bobagens, mas não poupo mais palavras quando tenho a oportunidade real de escrever. E não, eu não vou mais me calar.
Reprodução/Ultra Curioso
 
Ao chegar da noite, ela sempre corria para as estrelas.


Céu escuro, nenhuma nuvem, a bela lua, os astros reluzentes,... esse era o seu cenário preferido. A noite, as árvores e ela. Era assim que se sentia a vontade para se abrir. Talvez porque as estrelas, ao ouvirem seus desejos, não a criticavam. Ao contrário, elas cintilavam juntamente com o seu olhar.


Você não deve estar entendo, vou começar do início. Era uma vez...


Uma garota cheia de medos, sonhos, limitações, planos e dúvidas. Principalmente dúvidas! Ela não sabia quem queria ser, aliás, ela queria ser muitas pessoas. O que ela não sabia é quem era de verdade.


Não lhe faltavam inseguranças. Daí todo aquele receio em se mostrar, era melhor ser como todos eram, como todos queriam que fosse. Por isso, ao chegar da noite ela corria para as estrelas, pois elas sabiam ouvir todos os seus anseios. A lua iluminava seu coraçãozinho sonhador. Era apenas com aquelas amigas que ela se sentia segura para "se sentir" de verdade.


Mas era necessária uma mudança, uma libertação, ela precisava sair das sombras dos outros, precisava se libertar do medo que sentia dos outros.


Esse dia chegaria. O momento certo em que as estrelas a levantariam alto o suficiente para que todas as galáxias ouvissem quando ela gritasse: 

 _ Essa sou eu, isso faz parte de mim. Ninguém me impedirá de ser/fazer o que amo. Nem eu mesma!
Reprodução/Internet

Ela tinha fome de amor. Ele tinha fome de atenção. Podiam combinar sim, tinham lá suas compatibilidades, vez ou outra assistiam aos mesmos filmes sem nem planejar e tinham os mesmos comentários sobre os conhecidos em comum. Mas quando as fomes são diferentes, o lugar onde se buscam apetites são outros, outras formas, outros corpos, outras bocas.


Ela tinha Vênus em leão, se entregava sem pensar duas vezes e sabia cativar, mal sabia o quanto abusavam da sua boa vontade. Ele nem ao menos o significado de cativar sabia. O significado de receber ele sabia sim e muito bem. Recebia tanto que mal dava conta de segurar. Era como minha vó dizia, para ele era “só venha a nós e ao vosso reino nada!”


Era um casal estranho e um tanto quanto infeliz. Um dia ela percebeu isso e disse que faria as malas, que iria embora sem data para voltar. Ele fez jogo baixo, chantagem emocional, disse que ela estaria desistindo de tudo. Ela sequer ouviu, fechou o zíper e pegou o próximo avião disponível para a viagem que há anos guardava dinheiro.


Até hoje ele a espera voltar para ignorá-la fingindo não se importar, mas ainda assim esboçar um risinho no canto de boca como quem pensa “ela ainda pensa em mim”. Não assume, claro. Até porque arrumou outra pessoa, outro emprego, faz suas coisas, segue sua vida, cria outras ilusões. Mas nunca, nunca mais viu um sorriso com lábios rosados e carnudos iguais aos dela. Nunca mais ninguém o fez dormir com canções românticas. Nunca ele conseguir matar por completo a sua fome de atenção.



E ela? Ela se deu conta que não tava desistindo de tudo não, pelo contrário, estava insistindo nela mesma. Matou finalmente sua fome de amor. Se deliciou ao descobrir seus prazeres. E não há amor mais real e sincero que esse, o amor próprio!


Quem escreve



Luara é geminiana com ascendente em câncer. Intensa por natureza, socióloga por profissão, atriz por paixão, bailarina por amor e feminista por dever!