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Hoje cheguei em minha cidade natal para matar a saudade que sinto da minha familia. Sempre que vou visitá-los acabo saindo para passear  com alguém, e dessa vez não foi diferente, sai com minha vozinha e uma de minhas primas.


Entre uma sessão e outra do supermercado, o assunto que surgiu foi o casamento da minha tia, que está muito próximo, e a necessidade de encontrar uma roupa que esconda todas as nossas gorduras. Nossa familia só tem gordas e a preocupação em se boicotar é constante, principalmente com minhas primas adolescentes. Percebi como a festa do casamento aumentou ainda mais a gordofobia existente entre elas, "não tem vestido bonito para mim", "nenhuma blusa vai esconder que sou gorda", "vou de calça, para apertar minha barriga".


Como é difícil ver como elas se menosprezam apenas para agradar toda uma sociedade que não as quer bonitas, mas sim padronizadas e adestradas.


Em uma das lojas em que estivemos paramos para escolher biquínis (o casamento será em um sítio com piscina), aí sim foi um menosprezo total. Não é fácil transmitir amor próprio, na verdade isso é impossível, não podemos transferir. Porém, a desconstrução que eu tenho cada dia mais não as alcança da mesma forma.


Estar de acordo com o que os outros querem é prioridade, cabelo liso e longo, corpo sarado, roupas da moda. Não conseguimos ser nós mesmos no dia a dia, imagina em uma festa de casamento? Onde tudo é  milimetricamente criticado.


Isso foi mais um desabafo eu acho, bem diferente dos textos que procuramos oferecer à vocês. Desculpe por isso, é que me canso do mal que provocam em mim e em todas as mulheres do mundo.
Imagem/Google 

De acordo com os dados do Instituto Nacional do Câncer - INCA, a estimativa de novos casos de neoplasia mamária são de mais de 50.000 mil ao ano, acarretando de forma mais comum entre mulheres, apesar de afetar 1% dos homens na avaliação total de casos da doença.

O câncer de mama é umas das causas que mais matam mulheres no Brasil, entretanto, Flávia Flores, ex-modelo de 37 anos, saiu dessa estatística e agora ajuda a outras mulheres a lidarem com os desafios da doença, e entre eles, a baixa auto estima, mantendo um blog de moda e beleza para mulheres que enfrentam o câncer. A ex-modelo descobriu a doença em outubro de 2012 e acabou deixando São Paulo para voltar para a cidade natal, visando se tratar perto da família que vivi em Florianópolis.

Imagem/Google 

Como sempre foi vaidosa, Flávia optou por auto estima para vencer a doença, e se manteve entusiasmada até mesmo após a retirada das mamas, depois das meses de quimioterapia, que altera a pele e faz perder os cabelos, algo que atormenta inúmeras mulheres que interligam beleza a isso.

E foi essa vaidade que a motivou a criar o blog a três anos atrás, o Quimioterapia e Beleza, que hoje ajuda mais 86 mil seguidores.

Imagem/Google

O blog compartilha das histórias das seguidoras que enviam fotos enquanto estão em tratamento, ou já passaram por ele, mostrando sua luta diária contra a neoplasia. A blogueira também mantém uma rede de doação, o Banco de Lenços, o qual qualquer pessoa pode receber um lenço em qualquer lugar do Brasil, basta se cadastrar no blog, tudo isso de graça, inclusive a entrega.

Apesar de Flávia ainda precisar tomar medicamentos, ela voltou para SP e diz completamente feliz e realizada " Eu acho que sou uma fadinha que realiza desejos, e isso me faz tão bem" finaliza, a fadinha das flores mais que especiais.










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Reprodução/Tumblr

Texto escrito pela Nathalia Lourenço para o Elas Por Elas


Era uma vez, uma moça inteligente, divertida, linda, simpática… e insegura.

Não posso nomear a moça, elas são muitas, são minhas amigas, são mulheres que nem conheço, sou eu mesma.

Não sou capaz de contar a quantidade de garotas que conheço que são inseguras, muito inseguras. Também não sou capaz de contar a quantidade de relatos diferentes e ainda assim tão parecidos sobre suas inseguranças.

Ah, moça… se soubesse que isso tudo são armadilhas que colocaram na nossa cabeça…

Desde muito cedo somos ensinadas sobre como devemos nos vestir, falar, como nosso corpo deve parecer. E ai, se foge desses padrões, bom, vão te aconselhar “amigavelmente” a mudar. Afinal, é para seu próprio bem que você seja magra, tenha cabelos lisos, que fale como uma moça deve falar, que se porte como uma dama e outras coisas.

O que as pessoas não percebem, ou resolvem ignorar, é o quanto isso é tóxico, ter que fingir ser quem não se é ou perseguir um ideal de beleza mesmo que isso custe sua saúde.

Pretty Hurts (A beleza dói), música de Beyoncé


Acredito que toda essa exposição do “normal” e padrão na mídia a qual estamos acostumadas seja a maior culpada por toda nossa insegurança.

A beleza é uniformizada, e todas devemos ser assim, idênticas, mesmo que tenhamos um metabolismo ou genética diferentes e outro estilo de vida.

E, supostamente, quando atingirmos esse tão desejado padrão seremos mais felizes do que somos agora.

Sinto muito moça. Sinto muito por terem colocado essas coisas todas na sua cabeça, por terem te feito pensar que não é boa o bastante, linda, inteligente. Sinto muito por não terem te ensinado a se amar, a ver todas as suas qualidades e a ressalta-las sejam elas físicas ou não.

                      Você é gentil, você é inteligente, você é importante. (Filme: Histórias Cruzadas)

Te convido a olhar para o espelho, a enxergar sua beleza e a pensar nas suas qualidades. Pode ser um pouco difícil se não estiver acostumada a se ver dessa maneira, então peça ajuda as suas amigas, com certeza elas saberão te apontar os motivos por você ser bela e especial.

Eu escrevi tudo isso só para dizer que você é linda moça. Acredite.
          (Foto: Tumblr)


Sempre fui poliamor e favorável ao poliamor, mas de uns tempos pra cá o apego tomou conta de mim. Posso parecer uma louca desvairada e anacrônica, mas no momento só uma pessoa me faz feliz dentro de uma relação de dependência.
Eu tenho ciúmes sim, medo de perder e vontade de ficar perto do fulaninho a todo o momento e me julguei muito por essa necessidade absurda e metódica de ter e ser completada por um só alguém sendo que existem 7 bilhões de pessoas no mundo.
Apesar das minhas pequenas crises meu amor e desejo não faz com que todas as mulheres do mundo tornem-se minhas inimigas, meu choro de ciúme é pelo medo de perder e não culpa das outras mulheres.
Minha intensidade sempre foi sufocante, e se eu to só com uma pessoa ela terá de mim tudo, mas isso não fará com que eu abra mão de quem eu sou, nem das minhas lutas e ideias, o meu amor anda de mãos dadas com a calmaria de saber que tenho do meu lado um alguém recíproco, que me ama com a minha intensidade e paranoias sem abusar do meu eu.
Eu não quero perder esse alguém, mas também não quero me perder em devaneios de posse e muito menos em histerias sem sentidos. Eu mereço e quero um alguém que me de as mãos nos momentos de desespero, e os beijos mais alucinados nos momentos que o tesão toma conta do meu pequeno ser.

Não desista de mim, mas não espere que um dia eu mude, eu quero você com todos os defeitos e artimanhas que te pertencem, e quero que me queira  inteira, maluca, neurótica, e acima de sua,  minha , toda e eternamente minha. 
                                                           (Foto:Tumblr)



A sensação de não se encaixar em porra nenhuma é algo que sempre influenciou à minha maneira de viver a vida.
Comecei a faculdade em um curso e universidade ambos maravilhosos e ao mesmo tempo que sentia como se nada me faltasse, um vazio imenso e uma dificuldade enorme em socializar com aquele pessoal me tiravam do sério.

Nunca tive dificuldades em socializar, inclusive a miscigenação de culturas, gostos, modo de ver a vida foi algo que sempre me encantou e atraiu-me profundamente.
O fato é, eu sempre me achei errada demais para o mundo e tentava realizar mudanças impossíveis no meu modo de viver. Mas será que eu estive certa esse tempo todo em que tentei mudar meus aspectos para me encaixar em uma sociedade extremamente escrota e por muitas vezes ignorante?  Obvio que não, e eu sempre soube disso.

A aceitação de que eu não estava errada em não me encontrar no limbo social, me dá um certo alivio e desespero continuo. É muito chato se sentir sozinha no mundo, abandonada, desgostosa, mas mais chato ainda é fazer parte de uma sociedade padronizada onde as regras são impostas por corpos perfeitos, dinheiro, e vazios existenciais.

O meu vazio é fruto de uma solidão, do fato de não conseguir me encontrar em meio a multidões, e não um vazio de mim mesma. Eu sei que sou completa, tenho meus conhecimentos, minhas vontades, minha solidez pessoal, e eu não preciso de respostas do mundo para saber se estou certa ou errada no meu modo de viver, mudar o mundo sempre foi uma vontade minha da juventude, mas não tornando as pessoas parecidas comigo (até porque isso seria insuportável) o que seria mudar de uma padronização para outra.

O que eu realmente sinto vontade é de pegar um martelo magico que pudesse quebrar todo e qualquer bom costume que obrigue as pessoas a seguirem padrões, e se afastarem de seus desejos e vontades.
Tudo o que eu quero é demonstrar meus desejos, me realizar, e sentir a vida em mim como se sente pingos de chuva em uma tempestade, não aguento mais me esconder da chuva, da vida, das coisas boas que o mundo omite atrás de uma máscara de massificação e padronização.

Eu quero a luz de ser eu mesma e sentir a s radiações alheias como uma mágica que me adentra, me toca, e me transborda, quero ensinamentos e novidades que são inadmissíveis a consciência da sociedade atual.

Afinal, talvez eu só precise de liberdade, liberdade o suficiente para libertar, salvar e me salvar; liberdade de viver sem amarras, travas, mesmices, angustias. O mal amar e o amar fazem parte da alma, estou virando a outra face para a vida bater. 
                                                                            Foto: Divulgação

Escrevi esse texto porque estou cansada de ver gente romantizando depressão.
Vamos lá, depressão é uma coisa séria e não um capricho adolescente, e nem uma invenção para chamar a atenção.

As crises são terríveis a ponto de não permitir que a pessoa saia da cama, se entregue a choros  pouco a pouco perdendo a vontade de fazer qualquer tipo de atividade.

Aceitação e tratamento são o fundamental para a sua vida, a doença em si não te prejudicará em nada, mas o modo que você digere palavras alheias sim.

Não deve ser normal falar para uma pessoa que sofre desse mal que a culpa é dela, que tudo pode se resolver basta querer. Assim como um monstro de mil braços a depressão agarra as vitimas e as sufoca de modo que elas nem ninguém são capazes impedir.
Tenho depressão desde os 16 e sinto crises existenciais constantes, por muito tempo me senti pressionada achando que a culpa era minha, que precisava me render alguma forma, ser grata a minha vida ou simplesmente “parar de frescura” como todos a minha volta recomendava.

Meu recado não é para essas pessoas que por muitas vezes por falta de informação ou simplesmente falta do que fazer recomendam para que pessoas que sofram desse mal simplesmente o deixem pra lá e aproveitem a vida que tem. A única coisa que eu tenho a dizer a pessoas que rodeiam alguém que sofre com depressão é: cuidado com suas palavras, algo que não te fere pode soar brutal a esse alguém, tomar cuidado com as palavras ditas é o mínimo que você deveria ter aprendido com a tia do pré.

Pessoa como eu que possuem o diagnostico, precisam mais do que nunca acreditar em si mesmas, realizar o tratamento e por hipótese nenhuma deixar seu brilho se corromper com amarguras alheias.

A culpa não é sua, e você não tem controle sobre seus sentimentos e tão pouco sobre esse monstro que te rouba à vitalidade, você não precisa da opinião dos outros e tão pouco da pena de ninguém.

Você é bem mais que tudo isso e não precisa de boas palavras e tão pouco de más, só precisa da coragem de ser tudo que és, sem limites, ou mentiras, mas com devaneios, ânsias, amores e loucuras, como qualquer outro ser. Acredite no atual momento estamos todos inabitáveis.  
                                                        Foto: Reprodução/internet


Nunca imaginei que sentiria uma paixão arrebatadora, até porque sempre liguei coisas do coração com perda de autonomia e razão, mas o tempo passou (impressionantemente de modo muito rasteiro) e eu me deparei com uma pessoa que roubou completamente meus pensamentos insanos e as minhas risadas escandalosas.
Meu medo da entrega podou com que eu me entregasse e eu relutei de todas as maneiras que pude, mas cheguei à conclusão de que estaria fazendo pior merda se deixasse o fulano sair da minha vida por não ter certeza do que realmente é amar.
Com o tempo de relacionamento percebi que não precisava abrir mão de nada para se amar, vi que era possível ser de alguém sendo completamente minha, e percebi que estava entregue a uma paixão saudável que me fazia amadurecer e preenchia a minha vida com uma magia que a solidão nunca tinha sido capaz de fazer.
Foi então, em um domingo à noite enquanto fazia uma retrospectiva da minha vida e escolhas que resolvi escrever esse texto para mulheres que pensam exatamente como eu pensava.
Querer ficar sozinha é algo completamente válido e normal, até porque ninguém será capaz de te fazer feliz se primeiramente você não for capaz de se fazer feliz, mas dai até abrir mão completamente de viver algo intenso e verdadeiro com um alguém pode (e vai) te render muitos arrependimentos futuros. 
Dividir suas historias, loucuras, devaneios com alguém que saiba valorizar cada uma dessas coisas é uma verdadeira delicia, olhar nos olhos dessa pessoa e saber que ela admira cada qualidade sua, e apesar de conhecer os seus defeitos está disposto a viver contigo tudo que tiver que viver.  
Por esses e outros motivos, percebi que o verdadeiro sentimento que faz com que você comece uma relação com alguém é aquele que não te impede de viver e sim aquele que te liberta, abre seus horizontes enquanto te faz sentir capaz de ser e fazer o que quiser no mundo.
O que prende, sufoca, intoxica e te impede de ser livre nunca deve ser rotulado como amor e tão pouco merece ser vivido.
O amor não te dá escolhas entre viver um romance ou uma carreira, não te obriga a formar uma família, e tão pouco dá palpite em suas roupas, comportamento, amizades.
 O verdadeiro amor te apoia, enche a cara contigo, e faz com que você se sinta livre para só assim sentir de verdade cada segundo da sua vida valendo a pena.



O universo infantil é regado de futilidades, princesas de corpos magros e feições delicadas, fadas madrinhas, príncipes encantados que surgem para salvar donzelas submissas e indefesas, além de outros estereótipos “encantados” prontos para modelar crianças para a vida adulta integrada a uma sociedade onde não existe espaço para as diferenças e tão pouco para uma igualdade de gêneros.
Pensando nisso, fiz questão de selecionar seis livros onde contos de fada são desbancados por histórias que realmente possuem algo a dizer.


1-    Malala, a menina que queria ir para a escola
A protagonista da história, além de real dá um exemplo de resistência, luta e emponderamento. Atualmente com 19 anos continua na luta pela a educação das mulheres de seu Pais.


2-    Procurando firme
Conta a história da personagem Linda- flor, uma princesa que deseja bem mais do que um marido e a submissão das regras de seu reino. Seu maior desejo é conhecer o mundo e se aventurar!


3-    Olivia não quer ser princesa
Olivia é uma porquinha irreverente que enfrenta uma crise de identidade infantil. Enquanto todas as suas amigas querem se tornar uma princesa, Olivia sente a necessidade de ser diferente, sonhar sonhos diferentes. Isso faz com que a contestadora porquinha busque alternativas para descobrir o que deseja ser


4-     Quase de verdade
Ulisses é um cachorro que late histórias para a sua dona, entre essas histórias uma aventura que viveu no quintal da senhora Oniria. Lá existia vários galos e galinhas felizes, porém a enorme figueira que tinha inveja de toda essa alegria  estava disposta a tudo para acabar com ela. 
Clarice Lispector mostra de forma suave e infantil  sentimentos humanos.


5-    Cici tem pipi?
Para Max a sociedade  era dividida em pessoas com pipi, que eram mais fortes por terem pipi, e as sem pipi. Até que em um belo dia, uma nova aluna entra para a turma de Max e o deixa intrigado. Cici não desenha florzinhas, joga bola, e anda de bicicleta. Logo o menino levanta a hipótese: Será que Ceci tem Pipi?
A história é incrível e trata as semelhanças e diferenças entre meninos e meninas.

6-    Pippi meialonga

A personagem tem apenas 9 anos, incrivelmente forte, sem pai e nem mãe Pippi aprendeu a ser independente e corajosa desde cedo. Possui sempre a resposta na ponta da língua, além de uma extrema confiança em si mesma.
Reprodução/Internet


Que a descoberta pela sexualidade começa na infância, todo mundo sabe. Uma das histórias mais pitorescas que eu conheço é de um grupo de amigas que eventualmente se reuniam no sábado à noite, para jogar baralho e assistir pornô. Na verdade o truco, o buraco e o tapão eram o energético que havia na época para mantê-las acordadas até às 02h da manhã, quando começava o Cine Privê na Bandeirantes. Sim, com 12, 13 anos meninas assistiam Emanuelle no Espaço. E sabe quando foi rolar as discussões sobre erotismo e excitação? Anos depois, já adultas. À adolescência coube um enorme hiato sobre o tema. O engraçado é que ficavam excitadas mas não compreendiam, e ninguém nunca se colocou a entender também, pelo menos não naquela época.

Lembro das primeiras tentativas vitoriosas que tive me masturbando, e de, logo após atingir o orgasmo, ter sentido uma pontinha de dolo, vergonha. Eu, sozinha na escuridão do meu quarto, estava me sentindo culpada por ter gozado. Por mais que eu tenha parado a minha relação com a igreja na catequese, esse comportamento reflete o quanto o pensamento cristão ainda está incutido em nós, afinal, foi com ele que surgiu a ideia de que o sexo só deveria ser feito para a procriação, e que logo culminou na troca do prazer por medo, censura e culpa. Acredito ser essa culpa o nutrimento da falta de diálogo sobre prazer, e consequentemente da falta dele .Fui compartilhar essas experiências bem mais tarde, já madura. 

Conversas sobre sexo acontecem sim, claro, em qualquer roda de amigas, mas comecei a analisá-las mais minunciosamente recentemente. “E aí, rolou?”, “Sim!”, “Foi bom?”, “Foi legal”.“Você gozou?”, foi perguntado vez ou outra, e, sinceramente, nas poucas vezes em que a palavra gozo foi pronunciada, consecutivamente foi acompanhada de um olhar ou uma palavra repressora. “Você se masturba?” tem às vezes igual impacto. Meio estranho isso, ser liberado falar sobre o tamanho do membro do companheiro, motel e lingerie, mas ser tabu falar sobre tesão e orgasmo.O diálogo se sucede sim, entre algumas, mas raramente é algo discutido confortavelmente numa mesa de bar.O pior é que eu sinto que isso não é por mal, talvez seja algo até inconsciente. A sexualidade da mulher é tão reprimida que chega a ser obsceno assumir ela. A mulher tem que ser sexy, mas sexual, só entre quatro paredes e com o companheiro, se não soa feio, vulgar. 

Mais do que ser vergonhoso falar que você tem satisfação na cama, é assumir que você não tem. Parece que isso te faz menos mulher. E foi assim, timidamente, após inúmeros anos de amizade e mais anos ainda de vida sexual ativa, que uma amiga me contou que achava nunca ter tido um orgasmo. Achava, ou seja, nunca teve mesmo. Sei que ela ficou envergonhada ao falar isso, e eu em contrapartida fiquei muito triste. Triste por ela nunca ter experienciado isso, triste pelas relações que ela já teve, pela apatia dos homens com quem ela já se deitou por não se sensibilizarem com isso. Triste por mim e por todas as mulheres que já permanecemos com tesão após o companheiro desmontar em êxtase para o lado, triste por saber que algumas de nós não nos tocamos e não sabemos do que gostamos, por todas nós que não compartilhamos isso e que, infelizmente, ainda vemos isso como normal. Triste, ainda mais, por saber que esse tipo de situação é constante. 

Não vou entrar no mérito da questão do sexo ser feito, no mínimo, a dois, e de que se espera que os dois se satisfaçam com ele, mas sim no fato de nós, mulheres, ainda não conversamos sobre isso. Não na intensidade que deveríamos. Se a problematização é lenta, a busca pela solução também é. Nós não vamos buscar prazer na cama, nem desfrutar dele, se não começarmos a ver a sua falta como um dilema. 




Ana Clara Squilanti, cis, branca, (meio) hétero e há 27 anos em constante desconstrução. 

Deixa eu te perguntar, rapidão mesmo, você já se deu conta alguma vez que amor, por mais importante que seja, não é tudo? Às vezes acho que nos prendemos tanto as histórias românticas de livros e séries, que nos esquecemos de quem realmente somos. Quantas vezes você não se deixou levar por um argumento do seu namorado ou marido, mas pensando que, na real, você não estava errada?

Você tem que se lembrar que antes de amores, você é você. Tem opiniões, queixas e adjetivos diferentes das outras pessoas. Você é uma corda, não uma corda que precisa de um punho para segurar, você é uma corda que sabe dar seus próprios nós. Não precisa de ninguém nem nada para se queixar no seu lugar.

Se no momento você está acreditando que o seu relacionamento acabou, mas algo sempre te puxa a dúvida do e se, caia fora. Não é porque é amor, que é eterno ou que se é obrigatório que aconteça. Amar é amar, realmente algo que não tem como explicar, mas também não é algo que te obrigue a ser ou viver o que não quer.

Sufocar em um relacionamento que não te faz bem, miga, é uma mancada daquelas que vai doer até os ossos das mãos. Pense comigo, tente se imaginar daqui há cinco anos junto com essa pessoa, essa mesma que você ama, consegue? Não? Isso não significa que você não ama, apenas que consegue reconhecer que não é algo duradouro.

Não são todos os amores que foram feitos para acontecer até a eternidade. Alguns fazem mal. Alguns machucam mais que saram e isso você, simplesmente, não é obrigada a lidar.

Não tenha medo de reconhecer que seu amor é um amor passageiro ou um amor que não vai ficar ao seu lado. Isso não te faz fraca ou incapaz, na verdade, só mostra que você é madura o suficiente para dizer a si mesma que 'na boa, eu te amo, mas não sou obrigada a sofrer por nada'.

Miga, tu é algo muito maior que um relacionamento, existe amores a um, o amor próprio. Ele te faz muito mais feliz que muito amor ciumento, amor sem freio, amor mandão, amor de bad. Então levanta essa cabeça ai e tenha força. Tu ama sim, só não é obrigada a nada.

Caia fora.
 Blog Vintezanos
Este post faz parte da nossa parceria com o blog Vintezanos, da Mandy Castilho